Polícia prende dezenas de manifestantes na Argélia

Inspirados por revolução no Egito, argelinos organizam protesto para reivindicar mudanças no governo

EFE

12 de fevereiro de 2011 | 07h30

Polícia tenta conter os milhares de manifestantes. Foto: Mohamed Messara/EFE

ARGEL - Mais de mil pessoas foram detidas e várias ficaram feridas durante manifestação neste sábado, 12,  em Argel,  informou à Agência Efe o porta-voz do partido opositor da Reagrupação Constitucional Democrática (RCD), Mohcen Belabes. O protesto foi convocado contra o regime político do presidente Abdelaziz Bouteflika.  Militantes da Liga Argelina dos Direitos Humanos (LADDH) contradisseram o número de detidos, e estimaram que fossem mais de 200. A manifestação originou uma grande expectativa no país, especialmente após a renúncia na sexta-feira do presidente egípcio Hosni Mubarak.

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As forças policiais argelinas agiram na tarde deste sábado contra os manifestantes que se mantiveram concentrados perto da praça do Primeiro de Maio no centro de Argel e os dispersaram por várias ruas próximas ao mesmo tempo em que faziam dezenas de detenções, segundo apurou a Efe. Cerca de 2 mil manifestantes continuavam tentando esta tarde manter o protesto, que iniciou na manhã deste sábado depois que um forte aparato policial impediu a manifestação por uma troca no regime convocada pelos partidos opositores e sociedade civil.

Entre os detidos, há vários dirigentes da Coordenação Nacional pela Democracia e Mudança, grupo que convocou a manifestação, bem como ativistas dos direitos humanos, sindicalistas e jornalistas, acrescentaram as fontes. Também foram detidos jornalistas da imprensa argelina, como do diário árabe "El Khabar", acrescentaram as fontes. O presidente da LADDH, Mustapha Bouchachi, discursou aos manifestantes, pedindo-os que abandonem a manifestação para evitar confrontos, mas a maioria persistiu em sua tentativa de protestar de forma pacífica para pedir mudanças no regime.

Os protestos se estenderam a outros locais do país, como Bejaia, Constantina, Anaba e Orán, a segunda cidade argelina, onde também vários ficaram feridos e dezenas foram detidos, informaram à Efe fontes da Coordenadoria Nacional pela Democracia e mudança (CNDC), convocadora das manifestações. A capital do país amanheceu tomada por milhares de policiais, com centenas de furgões e veículos antidistúrbios estacionados em todos os lugares estratégicos do centro da capital e nos principais pontos do percurso da programado para a manifestação.

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(Texto atualizado às 14h58)

 

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