Stringer/ AFP
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Polícia prende mais de 380 pessoas em novo protesto contra governo de Bielo-Rússia

Nas redes sociais, alguns usuários mostraram os confrontos com a tropa de choque em alguns pátios de construção; país segue abalado por uma onda de protestos sem precedentes desde a polêmica reeleição de Lukashenko em 9 de agosto

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2020 | 10h25

MINSK - Ao menos 388 pessoas são detidas após protestos contra o governo de Bielo-Rússia, incluindo jornalistas, informou a ONG de defesa dos direitos humanos Viasna. Neste domingo, 15, apoiadores da oposição tomaram as ruas novamente em Minsk para protestar contra o presidente Alexander Lukashenko em meio à raiva crescente após a morte de um oponente que foi preso pela polícia. 

Autoridades começaram a dispersar a manifestação na capital quase que imediatamente após o início às 12h (horário local), usando granadas de choque, canhões de água e gás lacrimogêneo, segundo a mídia local, que divulgou vídeos mostrando a violência. 

Nas redes sociais, alguns usuários mostraram os confrontos com a tropa de choque em alguns pátios de construção. "Lukashenko usou gás, granadas e armas de fogo contra os manifestantes. Muitos feridos. Devastados", reagiu no Twitter a principal figura da oposição, Svetlana Tijanóvskaya, exilada na Lituânia. Outros jornalistas também divulgaram vídeo da manifestação.

Antes do protesto, cerca de 15 estações de metrô foram fechadas e o acesso à rede móvel era limitado, descobriu um jornalista da AFP. A manifestação deste domingo ocorre depois que milhares de pessoas saíram às ruas de Minsk na sexta-feira, 13, para homenagear um oponente que morreu após ser detido pela polícia, em um país abalado por uma onda de protestos sem precedentes desde a polêmica reeleição de Lukashenko em 9 de agosto

Prisão

Roman Bondarenko, 31, foi preso após uma altercação entre moradores e indivíduos que retiraram fitas vermelhas e brancas (as cores da oposição) que estavam penduradas no pátio de um prédio da capital. O homem, que tinha lesões cerebrais, morreu no dia seguinte em um hospital. Tijanóvskaya pediu para prestar homenagem a um "homem que morreu porque queria viver em um país livre."

O presidente Lukashenko apresentou suas condolências na sexta-feira e ordenou uma investigação "honesta e objetiva" das circunstâncias da morte de Bondarenko. Desde o início dos protestos, pelo menos quatro pessoas morreram nas manifestações ou após serem presas, mas outras mortes suspeitas aumentam o temor de um número maior. Além disso, milhares de manifestantes foram presos e dezenas deles denunciaram tortura durante sua detenção. Lukashenko, que tem o apoio da Rússia, se recusa a deixar o poder e apenas mencionou vagas reformas constitucionais para tentar acalmar a situação.

Em outubro, mais de 100 manifestantes foram detidas em Minsk, durante mais um protesto realizado pela oposição e por grupos sociais contra o presidente de Bielo-Rússia/ AFP

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