Alexander Zemlianichenko / AP
Alexander Zemlianichenko / AP

Polícia prende mais de mil pessoas durante protesto em Moscou

Opositores pedem eleições locais livres e denunciam a proibição de candidaturas independentes para o pleito

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2019 | 15h20

MOSCOU - A polícia da Rússia prendeu mais de mil pessoas que estavam reunidas em Moscou neste sábado, 27, para pedir eleições locais livres e justas, apesar do aumento da pressão contra a oposição nos últimos dias.

As forças de segurança prendiam diversos participantes que chegavam à principal via de Moscou, a avenida Tverskaya, aos gritos de "Vergonha" e "Queremos eleições livres", obrigando os demais a recuarem para ruas adjacentes.

Algumas das prisões foram violentas. Um repórter da agência France-Presse acompanhou uma detenção em que a manifestante ficou ferida na cabeça. 

"Estávamos nos manifestando pacificamente, não estávamos com armas (...), não demos nenhum motivo para essas prisões violentas", criticou Anastassia Zabaliueva, de 27 anos, professora de francês e inglês. 

Diversos opositores foram presos, como Ilia Yashin, Liubov Sobol e Dmitri Gudkov. Os três foram libertados à tarde. Sobol terá de pagar uma multa de 30 mil rublos (cerca de US$ 400), enquanto Yashin e Gudkov deverão comparecer a um tribunal ainda neste mês. 

A concentração não autorizada em frente à Prefeitura da capital ocorre menos de uma semana após uma manifestação sem precedentes desde quando o presidente Vladimir Putin voltou ao Kremlin

A oposição denuncia a proibição de candidaturas independentes para as eleições locais, que aparentemente serão difíceis para os candidatos governistas. 

A ONG OVD-Info, especializada no acompanhamento de manifestações, contabilizou 648 prisões por volta de 19h (13h em Brasília). Durante a tarde, manifestantes tentaram bloquear várias ruas no centro de Moscou. Um contingente de policiais foi encaminhado ao local e acabou com o bloqueio rapidamente. 

Candidatos alvos de busca

As casas e gabinetes de vários candidatos impedidos foram alvo de operações de busca e apreensão e, na quarta-feira, o principal opositor do Kremlin, Alexei Navalni, foi condenado a 30 dias de prisão por violar "regras das manifestações". 

As ações judiciais ocorrem após a abertura de uma investigação de "obstaculização do trabalho da Comissão Eleitoral" de Moscou, em razão das manifestações de meados deste mês. Elas podem levar a penas de até cinco anos de prisão.

A ONG Anistia Internacional, que teme uma "repressão enorme em breve", criticou uma "tentativa aberta e descarada das autoridades russas de intimidar a oposição".

Antes da manifestação deste sábado, a polícia de Moscou emitiu uma advertência aos cidadãos e propôs que jornalistas cobrindo o evento se identificassem, um acontecimento inédito que antecipava as numerosas prisões.

O registro de cerca de 60 candidaturas às eleições do Parlamento de Moscou foi rejeitado, oficialmente por causa de erros na coleta das assinaturas de apoio necessárias. 

Os candidatos independentes excluídos denunciaram irregularidades fraudulentas e acusaram o prefeito Serguei Sobianin, alinhado ao governo central, de querer sufocar a oposição. / AFP

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