Nic Antaya/EFE
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Polícia prende pais de adolescente acusado de matar quatro estudantes em escola dos EUA 

Fiança no valor de US$ 500 mil foi estabelecida para cada um; o casal foi indiciado por homicídio culposo após facilitar o acesso do filho à arma e não contribuir posteriormente com as investigações

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2021 | 05h37
Atualizado 04 de dezembro de 2021 | 15h17

DETROIT - Os pais do adolescente Ethan Crumbley, de 15 anos, acusado de atirar e matar quatro colegas de classe em uma escola do Estado americano de Michigan foram presos depois de serem encontrados escondidos em um prédio comercial em Detroit. Em uma audiência virtual, uma juíza, citando risco de fuga, determinou que eles continuem sob custódia policial e fixou uma fiança de US$ 500 mil para cada um. 

Jennifer e James Crumbley se declararam inocentes de quatro acusações de homicídio involuntário, aparecendo separadamente via webcam em uma acusação virtual de 35 minutos em que a acusação e a defesa entraram em confronto para saber se os pais forneceram acesso fácil à arma que as autoridades dizem ter sido usada no crime. Ethan está preso. 

“Este é um ataque a tiros sério, horrível e terrível, e afetou toda a comunidade”, disse a promotora do Condado de Oakland, Karen McDonald, acrescentando que a probabilidade de condenação é “forte”. “E esses dois indivíduos poderiam ter impedido (o ataque).”

O ataque a tiros ocorreu em Oxford, pequeno povoado 65 km ao norte de Detroit. A polícia informou ter recebido mais de cem telefonemas ao serviço de emergência 911 pouco após o meio dia, e que o atirador fez entre 15 e 20 disparos durante cinco minutos com uma pistola semiautomática, com mais de um carregador. 

Os pais do adolescente foram acusados de facilitar que o menino tivesse fácil acesso à arma e não contribuíram posteriormente com as investigações. James comprou a pistola semiautomática usada pelo seu filho, uma Sig Sauer de nove milímetros, quatro dias antes da tragédia, no dia de Black Friday depois do feriado de Ação de Graças.

 

Os promotores alegam que os pais compraram a arma para o filho e que Jennifer Crumbley se gabou nas redes sociais de levar o filho a um campo de tiro para experimentá-la. As autoridades também dizem que os pais de Ethan deixaram a arma destravada e se esqueceram de agir devido às preocupações expressas por funcionários da escola de que ele poderia agir de forma violenta.

No dia do ataque, os Crumbleys foram chamados à escola devido a um bilhete preocupante de Ethan, em que havia o desenho de uma arma semiautomática. Os pais compareceram à escola, mas se recusaram a retirar Ethan das aulas aquele dia. A promotora destacou que os pais não olharam a mochila do menino para verificar se havia arma.

Horas depois de anunciar que o casal estava sendo acusado - um movimento extraordinariamente raro para responsabilizar os pais quando um menor usa uma arma em um ataque na escola - os policiais disseram que o casal havia desaparecido. Eles foram localizados durante a noite em um prédio comercial após uma extensa busca envolvendo cães policiais, policiais locais, entre outros, disseram as autoridades. 

A juíza do condado de Oakland, Julie A. Nicholson, concordou com o pedido da promotoria por uma fiança de US$ 500 mil para cada, declarando que o casal poderia representar um risco de fuga e ordenando aos pais que entregassem todas as armas ao escritório do xerife local se fossem libertados da prisão.

Ethan Crumbley enfrenta várias acusações como um adulto no ataque na terça-feira na Oxford High School: uma acusação de terrorismo causando morte, quatro acusações de assassinato em primeiro grau, sete acusações de agressão com intenção de matar  e 12 acusações de porte de arma de fogo.

O ataque dilacerou a pequena comunidade de Michigan e reacendeu os apelos por leis mais rígidas sobre armas, com mais Estados considerando leis para punir os pais se os filhos atirarem com armas não protegidas. Parece ser o episódio mais mortal de violência em uma escola nos Estados Unidos em mais de 18 meses. Outros sete ficaram feridos.

Responsabilizar os pais é incomum em um ataque em escola. Uma análise do Washington Post de 145 ataques em escolas cometidos por crianças nas duas décadas após o massacre de Columbine High, em 1999, descobriu que a fonte da arma havia sido identificada publicamente em 105 casos. No total, as armas que essas crianças usaram foram tiradas de suas próprias casas ou de parentes ou amigos 80% das vezes./ WP e AP

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