EFE/Quique Garcia
EFE/Quique Garcia

Polícia prende quarto suspeito de duplo atentado na Espanha

Sobe para nove o número de pessoas suspeitas de integrar a célula terrorista do Estado Islâmico que realizou ataques em Barcelona e Cambrils; número de mortos chega a 14 e os feridos são 130

Andrei Netto, enviado especial / Barcelona, Espanha, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 10h41
Atualizado 18 Agosto 2017 | 17h14

BARCELONA, ESPANHA - Quatro pessoas já foram presas pela polícia da Espanha nesta sexta-feira, 18, por supostos vínculos com a célula terrorista que cometeu o duplo atentado no país. Os ataques deixaram 14 mortos e 130 feridos, dos quais 17 estão em condições críticas e 32 em estado grave. 

Além do ataque em Barcelona, um segundo atropelamento foi realizado na cidade de Cambrils, a 120 quilômetros ao sul da capital catalã. Nesta ação, cinco membros do grupo tentaram fugir, mas foram abordados pelas forças de ordem e mortos.  

Dois dos quatro presos haviam sido detidos ainda na quinta-feira, mas a polícia considerava um terceiro suspeito foragido. Ele seria um suposto membro da organização terrorista, que agiu em nome do movimento jihadista Estado Islâmico (EI), e foi encontrado pela polícia na manhã desta sexta-feira, junto com um quarto suspeito, segundo confirmou o presidente da região de Catalunha, Carles Puigdemont. As identidades ainda estão sendo confirmadas, mas sabe-se que um dos suspeitos é espanhol e outro marroquino. Ainda não está claro se o motorista do furgão que causou as mortes está entre os detidos.

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Os presos elevam para nove o número de membros da célula terrorista dormente de Barcelona. O maior grupo foi flagrado em Cambrils, depois que um automóvel Audi no qual estavam acelerou como uma multidão e atropelou seis pessoas, entre as quais um policial. Dessas, duas estão em estado crítico e grave, e outras quatro tiveram ferimentos menores. Os agressores tentaram fugir, mas foram abordados pela polícia e abatidos a tiros. 

A mobilização das forças de ordem não acontece apenas na Espanha, onde as entradas e saídas de Barcelona e da Catalunha continuam sendo monitoradas pela polícia. Na fronteira com a França, os controles de identidade foram reforçados para impedir que haja uma fuga internacional, segundo o ministro do Interior francês, Gérard Collomb. 

Enquanto as investigações avançam, segue o esforço para salvar os feridos em estado crítico, assim como a identificação dos corpos, um trabalho complexo já que há vítimas de 34 nacionalidades entre os mortos e feridos. Nesta manhã, uma 14.ª pessoa morreu em razão da gravidade dos ferimentos.

No centro de Barcelona, uma primeira solenidade de homenagens às vítimas contou com a presença do rei Felipe VI e o primeiro-ministro, Mariano Rajoy. Ambos se reuniram na Praça de Catalunha, para onde milhares de pessoas se dirigiram ao meio-dia (local), horário do minuto de silêncio organizado. Entre as poucas palavras de ordem, a população gritou: "Não temos medo". 

Ataque maior

Os autores dos ataques em Barcelona e Cambrils preparavam atentados de maior proporção, mas tiveram que abrir mão de seus planos, informou a Polícia catalã nesta sexta-feira.

"A tese com que estamos trabalhando é que já estavam se preparando há algum tempo nos arredores do domicílio de Alcanar", onde, na noite de quarta, ocorreu uma explosão, afirmou Josep Lluis Trapero.

"A explosão em Alcanar evitou atentados de maior alcance do que o registrado", acrescentou, assinalando que os terroristas tentaram atuar "de maneira rudimentar na esteira dos outros atentados em cidades europeias".

Cambrils

A cidade espanhola de Cambrils, na zona costeira da Catalunha, palco de um atentado terrorista na noite de quinta, foi onde se reuniu em 2001 a dupla de terroristas Mohamed Atta e Ramzi bin al-Shibh, que planejou os detalhes do ataque às Torres Gêmeas, em 11 de setembro, nos Estados Unidos. 

Por volta da meia-noite de quinta, cinco homens com cinturões explosivos falsos jogaram um carro contra turistas, matando uma mulher e ferindo outras seis pessoas, incluindo um policial. Os cinco terroristas foram mortos, mas o episódio reacendeu a fama de Cambrils. 

Atta e al-Shibh se reuniram na cidade em 2001 semanas antes do ataque ao World Trade Center (WTC), em Nova York. O egípcio Atta, de 33 anos na época, sequestrou e pilotou o Boeing 767 que foi lançado contra a torre norte do WTC. Já o iemita al-Shibh financiou os sequestradores. 

Os dois passaram uma noite em Cambrils e logo se dirigiram a um esconderijo em Terragona, a 20 quilômetros da cidade, onde planejaram os detalhes do maior atentado terrorista em solo americano. / COM ANSA e AFP

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