Angel Juarez/AFP
Angel Juarez/AFP

Ataque a tiros em centro comercial do Texas deixa 20 mortos e dezenas de feridos

Autor do massacre, um morador de Dallas, de 21 anos, foi preso. Polícia diz que suspeito pode ser acusado por crime de ódio

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2019 | 15h39

EL PASO, ESTADOS UNIDOS - Um atirador abriu fogo em um centro comercial lotado no fim da manhã deste sábado, 3, em El Paso, no Texas, a 4,5 quilômetros da fronteira com o México. Pelo menos 20 pessoas morreram, 26 ficaram feridas e centenas fugiram do local relatando cenas de pânico. O autor do massacre, identificado como um morador de Dallas, de 21 anos, foi preso. Um manifesto com declarações contra imigrantes atribuído ao autor do crime, se autêntico, pode ter "nexo com um crime de ódio", segundo a polícia. 

Os tiros começaram perto das 10 horas (13 horas em Brasília). A maior parte das vítimas foi atingida em uma loja da rede Walmart próxima do shopping center. Vanessa Saenz, de 37 anos, que faria compras no lugar, disse ao The Washington Post que estava no estacionamento quando viu um homem “dançar no ar”. Ao perceber que se tratava de uma vítima de tiros, ela tentou acelerar seu veículo, mas dezenas de pessoas corriam desorientadas. 

Outra testemunha afirmou à rede Fox News ter escutado o que imaginou serem fogos de artifício, enquanto estacionava o veículo. “Vi um homem com camiseta negra e calças camufladas que parecia levar um rifle, apontada contra as pessoas e disparava diretamente. Vi três ou quatro caindo”, relatou.

As autoridades afirmaram que estão investigando um manifesto que o atirador teria postado na internet antes do tiroteio, descrevendo um ataque em resposta a uma “invasão hispânica”.  No documento de quatro páginas, o autor diz que imigrantes e americanos de primeira geração tiram empregos e misturaram culturas nos EUA.  "Neste momento, temos um manifesto do indivíduo que, de certa forma, indica que ele tem um vínculo com um possível crime de ódio", disse o chefe de polícia de El Paso, Greg Allen, em uma entrevista coletiva.

A maior parte dos habitantes de El Paso, de 680 mil moradores, é de origem latina. O lugar é conhecido por cultivar um sentimento binacional, em razão da proximidade da mexicana Ciudad Juárez. O local do ataque, o Cielo Vista Mall, é um centro de compras popular entre moradores dos dois lados da fronteira. Recentemente, o aperto no controle do ingresso nos EUA tirou parte do movimento, mas em um sábado ensolarado o lugar fica repleto de consumidores. Havia filas para compra de material escolar para a volta às aulas.

De acordo com o sargento Robert Gomez, havia pelo menos mil clientes e 100 funcionários na loja do Walmart no momento do ataque. A rede divulgou um comunicado: “Estamos em estado de choque pelos trágicos eventos no Cielo Vista Mall em El Paso, onde loja 2201 & club 6502 estão localizados”.

Várias agências de segurança pública foram até a cena do crime, incluindo a polícia local, estadual e agências federais, com agentes da Segurança Nacional e da patrulha da fronteira.

O prefeito de El Paso, Dee Margo, chegou a dizer que três suspeitos do atentado tinham sido detidos. Posteriormente, a polícia afirmou que apenas um suspeito havia sido preso, admitindo que as informações circularam de forma desencontrada. O homem detido foi identificado como Patrick Crusius. Imagens de câmeras de segurança mostram o atirador de óculos, protetor nos ouvidos e camiseta preta. 

Vídeos publicados no Twitter mostram clientes em uma loja de departamento sendo retirados do local, com as mãos para cima. Manuel Uruchurtu, de 20 anos, tinha acabado de pagar por suas compras quando ouviu os tiros. Enquanto fugia em meio a uma multidão, viu dois corpos no chão. “Vi muita gente chorando: crianças, idosos, todos em choque.” Durante a tarde, filas para doação de sangue se formaram em hospitais.

No Twitter, o presidente Donald Trump chamou o ataque de “terrível”, falou em “muitos mortos” e disse que trabalhava com as autoridades locais. Ele afirmou que o tiroteio em El Paso não foi apenas trágico, mas um "ato de covardia". "Eu sei que estou com todos neste país para condenar o ato odioso de hoje. Não há razões ou desculpas que justifiquem matar pessoas inocentes", escreveu o presidente americano, que ofereceu ajuda do governo federal./ EFE, AFP, AP, NYT e W. POST

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