Polícia queniana invade redações e prende jornalistas

O ministro da Segurança do Quênia disse nesta sexta-feira que a polícia apreendeu um arquivo de computador que mostra evidências de que um grande grupo de mídia do país estaria conspirando contra o governo. John Michuki disse a jornalistas que a descoberta justifica os ataques policiais simultâneos contra o jornal Standard e a sua versão televisiva, a Rede de Televisão do Quênia. Tropas policiais destruíram as impressoras do jornal e cancelaram o sinal de transmissão da TV do grupo na manhã da última quinta-feira. Foram os primeiros ataques à imprensa desde a independência do Quênia, em 1963. Muitos quenianos viram os ataques como atos desesperados da administração do país que se desintegra enquanto escândalos de milhões de dólares são descobertos e complôs políticos se formam. A mídia queniana vem sendo enfática contra a corrupção do país e escândalos que envolvem o presidente Mwai Kibaki, que é visto isolado politicamente e que em 2002 chegou ao governo subornando o seu sucessor. Na última quinta-feira, a polícia prendeu três jornalistas do Standard acusando-os de "publicarem informações para incitar a população". As acusações citam um relatório publicado no último sábado falando que Kibaki se encontrara com um importante oponente. Os ataques podem destruir a imagem internacional do Quênia, que é visto como o Estado mais estável do leste africano. A embaixada do Estados Unidos em Nairóbi condenou as intervenções policiais como "atos bárbaros que não têm lugar em uma sociedade democrática". A ONU se mostrou preocupada e a União Européia pede uma investigação apurada dos fatos. Mas nesta sexta-feira à tarde (horário local), Kibaki manteve sua decisão de continuar com os ataques aos meios de comunicação. O jornal Standard continuou com seu trabalho jornalístico e publicou um especial dos ataques sofridos na última quinta-feira. A emissora de TV do mesmo grupo foi ao ar mostrando imagens dos ataques. Milhares de quenianos marcharam para o escritório do grupo do Standard no centro de Nairóbi, demonstrando apoio ao jornal. Se dirigindo a jornalistas na quinta-feira, Kibaki usou uma linguagem ambígua lembrando do passado em que a imprensa não tinha nenhuma liberdade de expressão. "Se vocês querem mexer com uma cobra devem estar preparados para serem mordidos", disse Kibaki, apontando para os jornalistas. Mas membros do Gabinete presidencial de Kibaki condenaram os ataques, mostrando profundas rupturas dentro do governo. Diversos legisladores e peritos legais disseram que o ataque foi ilegal, já que a polícia não possuía mandados de busca e apreensão.

Agencia Estado,

03 Março 2006 | 17h45

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