Polícia realiza mais duas explosões em hospital escocês

Segundo fontes, três dos sete suspeitos seriam médicos com atuação no Reino Unido

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 19h16

Uma unidade antibomba da polícia britânica realizou nesta segunda-feira, 2, ao menos duas explosões controladas em um aparelho no hospital de Glasgow, Escócia, onde um dos suspeitos de autoria do atentado de sábado ao aeroporto da cidade está internado, informou a CNN. Duas explosões foram ouvidas uma hora depois da chegada do caminhão da unidade antibomba ao Royal Alexandra Hospital, que fica próximo ao aeroporto de Glasgow. No domingo, a polícia conduziu outra explosão controlada em um veículo parado no estacionamento do hospital. Segundo a própria polícia, não havia indicações de que o veículo continha explosivos. As razões que levaram à intervenção não foram reveladas. Autoridades britânicas suspeitam que os dois homens que lançaram um veículo em chamas contra o aeroporto de Glasgow, na Escócia, no último sábado, sejam os mesmos que estacionaram os dois carros-bomba encontrados em Londres na sexta-feira. Policiais revelaram ainda que três dos sete presos no país sob suspeita de envolvimento com as tentativas de atentados são médicos. Um deles seria o iraquiano Bilal Abdullah, que trabalhava cobrindo folgas de outros médicos no Royal Alexandra Hospital, e que seria um dos atacantes do aeroporto. Abdullah teria terminado seus estudos em Bagdá. O outro homem preso junto com ele em Glasgow está internado com queimaduras graves, no mesmo hospital. Ele e Bilal estavam no carro usado no ataque - um jipe modelo Cherokee que explodiu na tentativa de invasão do terminal principal do aeroporto da cidade escocesa. Os investigadores estão tentando rastrear o caminho percorrido pelo Cherokee antes do ataque. O outro médico seria o neurologista jordaniano Mohammed Asha, de apenas 26 anos. Asha completou os estudos de medicina no país e trabalhava em dois hospitais na cidade de Telford (oeste da Inglaterra). Ele foi detido com sua esposa, vestida com trajes típicos muçulmanos, no sábado a noite em sua BMW M6. Contatados na Jordânia, os familiares de Asha se mostraram surpresos pela informação de que o médico fora preso. Segundo um irmão do rapaz, ele não era uma pessoa religiosa, e seria um dos mais estudiosos de sua classe. A preocupação da família recai agora sobre o filho do casal preso, de apenas dois anos. Como ainda não foram contactados pela embaixada britânica, os parentes do jordaniano não sabem quem está cuidando da criança. Casa alugada Bilal e o homem ferido em Glasfou teriam alugado uma casa no vilarejo de Houston, distante três quilômetros do aeroporto atacado. A imobiliária responsável pela locação afirma que policiais procuraram funcionários minutos antes do ataque do último sábado, perguntando sobre um número de celular. A BBC apurou que a polícia já estava investigando os suspeitos antes do ataque de Glasgow. Daniel Gardiner, diretor de uma imobiliária que teria alugado uma casa para um dos suspeitos, disse que a polícia o contatou para esclarecer a relação entre a imobiliária e o suspeito, depois de os carros-bomba terem sido encontrados em Londres, na sexta-feira. "A polícia queria saber por que nós ligamos para um certo número", disse ele. "Eles descobriram os telefones (nas investigações) em Londres." A polícia britânica também interrogou funcionários da empresa de Gardiner e levou toda a documentação do locatário. "Esse não é o tipo de gente que anda com documentos de identidade verdadeiros", disse a fonte, que falou sob condição de anonimato. Alerta máximo A ministra do Interior britânica, Jacqui Smith, negou que só a sorte evitou um massacre em Londres e Glasgow, e insistiu em que o governo faz esforços para proteger a população. Em declarações à rede GMTV, Smith disse que o trabalho da Polícia, dos especialistas britânicos, dos serviços secretos e a vigilância da população evitaram um desastre. A polícia reforçou as medidas de segurança nos aeroportos britânicos, estações de trem e no metrô de Londres. O Reino Unido mantém o nível de alerta de segurança em "crítico" - o máximo -, que significa que as forças da ordem acham que um ataque terrorista pode ser iminente. Um porta-voz da polícia disse que haverá veículos policiais nos principais pontos da rede de transporte de Londres. Segundo a fonte, as forças da ordem poderão deter e revistar pessoas em virtude da lei antiterrorista britânica e em resposta ao nível "crítico" de segurança no país. Sobre as especulações da imprensa de que os serviços secretos dos EUA tinham advertido o Reino Unido de que Glasgow podia ser alvo de um ataque terrorista, a ministra britânica de Interior, Jacqui Smith, disse que essa é uma informação incerta. A ministra afirmou ainda que não queria falar de coisas que não são seguras e acrescentou que as especulações não ajudam na investigação.

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