Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Polícia reprime manifestantes contra Maduro a poucos metros do palácio

Venezuelanos protestam contra escassez de alimentos e outros itens essenciais; CNE adia mais uma vez reunião com opositores para tratar da convocação de referendo revogatório

O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2016 | 19h58

CARACAS - Policiais e militares venezuelanos usaram nesta quinta-feira bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um protesto de dezenas de pessoas contra o presidente Nicolás Maduro, a poucos metros do Palácio de Miraflores, sede do governo – área de segurança onde normalmente manifestantes da oposição não chegam. 

“Vai cair, vai cair, esse governo vai cair”, repetiam alguns manifestantes a quatro quarteirões do palácio, em desafio a centenas de homens da Polícia Nacional e da militarizada Guarda Nacional Bolivariana, que cercavam o protesto por vários setores, segundo relato da Agência France Presse.

A maior parte dos manifestantes era formada por moradores de bairros próximos, que bloquearam uma avenida estratégica e ruas vizinhas, virando latas de lixo, e tentaram chegar ao palácio. A marcha, porém, foi interrompida pelos agentes de segurança e grupos de simpatizantes do governo. 

“Estou protestando porque já estamos cansados da escassez de produtos e das filas”, disse à AFP Francis Marcano, estudante de 21 anos, com uma pedra na mão.

Atingida pela queda dos preços do petróleo, a Venezuela sofre com uma profunda crise política, institucional, social e econômica, com grave escassez de alimentos e medicamentos, e uma inflação – a mais alta do mundo – de 180,9% em 2015, projetada pelo FMI para 700% em 2016.

Longas filas, vigiadas pela polícia militar, se formam todos os dias nos supermercados para a compra de alimentos subsidiados. Em vários estabelecimentos de Caracas e outras cidades ocorreram saques e protestos nas últimas semanas.

A oposição venezuelana responsabiliza o governo de Maduro pela crise e pediu a convocação de um referendo revogatório do mandato presidencial, enquanto a Organização de Estados Americanos (OEA) defende o estabelecimento do diálogo como saída. 

Nesta quinta-feira, representantes da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) se reuniriam com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), responsável pela divulgação do relatório sobre a verificação de 1,8 milhão de assinaturas – entregues em maio para ativar o revogatório. Mas o organismo cancelou a reunião sem apresentar motivos nem fixar uma nova data para o encontro.

A oposição, que acusa o CNE de ser parcial em favor do chavismo, espera que seja validado o mínimo de 200.000 assinaturas para seguir adiante com o processo. O governo, no entanto, afirma que a oposição cometeu fraude nas assinaturas, incluindo a de pelo menos 10 mil mortos. “Abriram os cemitérios”, ironizou Maduro. / AFP

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