TELEVISION CONTINENTAL/Reuters TV
TELEVISION CONTINENTAL/Reuters TV

Polícia resgata mais de 300 jovens torturados em reformatório islâmico da Nigéria

Detentos, incluindo menores de idade de várias nacionalidades, foram enviados ao local por cometerem delitos ou usarem drogas

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 14h35
Atualizado 28 de setembro de 2019 | 20h06

KADUNA, NIGÉRIA - A polícia da cidade de Kaduna, no norte da Nigéria, resgatou mais de 300 jovens, incluindo menores de idade, de várias nacionalidades, que foram torturados e violentados em um reformatório islâmico, informaram fontes das forças de segurança.

"Viviam em condições desumanas e degradantes", afirmaram as fontes. "Encontramos uma centena deles, alguns meninos de nove anos, acorrentados em um pequeno quarto. As vítimas foram maltratadas, algumas afirmaram que foram violentadas pelos professores", disse um porta-voz da polícia.

A maior parte dos presos libertados era crianças ou adolescente. Alguns estavam amarrados pelos tornozelos e outros acorrentados pelas pernas a grandes rodas de metal para impedir a fuga.

Um garoto, ajudado por um policial enquanto caminhava instável, tinha feridas visíveis nas costas que pareciam consistentes com ferimentos infligidos por um chicote.

Algumas crianças foram trazidas de países vizinhos, incluindo Burkina Faso, Mali e Gana, segundo a polícia, enquanto outras foram deixadas pelos pais no que eles acreditavam ser uma escola islâmica ou um centro de reabilitação para jovens infratores ou usuários de drogas - com o objetivo de proporcionar a reinserção social, ensinar o Alcorão e normas de convivência.

A polícia também encontrou um "quarto da tortura", onde os alunos eram presos e espancados quando faziam algo que era considerado errado.

Relatos assustadores

Um jovem, Hassan Yusuf, disse que havia sido enviado para a escola devido a preocupações com seu modo de vida após alguns anos estudando no exterior.

"Eles disseram que meu estilo de vida mudou - eu me tornei cristão, deixei o modo de vida islâmico", disse Yusuf, que não especificou a natureza de seu relacionamento com as pessoas que o enviaram ao centro.

Hassan Mohammed, afirmou que ele era o tio de três das crianças libertadas que foram enviadas para a escola por sua mãe depois que o pais delas morreu. Ele disse desconfiar do que estava acontecendo no local depois que a família foi impedida de visitá-los.

"Eu implorei, eles disseram que não poderíamos ver as crianças por três meses. Quando voltamos para casa percebemos que a única coisa que poderíamos fazer era denunciar esse problema à polícia e foi exatamente o que fizemos”, afirmou Mohammed.

As crianças resgatadas foram levadas para um estádio em Kaduna e, posteriormente, seriam transferidas para outro local no subúrbio da cidade enquanto as autoridades tentam encontrar seus pais, informou a polícia. / AFP e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
Nigéria [África]torturaIslamismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.