Polícia russa prende 170 pessoas em protesto contra governo

A polícia russa prendeu neste sábado, 14, pelo menos 170 pessoas, incluindo o campeão de xadrez Garry Kasparov, ao tentar acabar com uma tentativa de opositores do presidente Vladimir Putin de fazer um protesto perto do Kremlin, sede do governo. Ativistas tinham planejado se reunir em uma praça central a cerca de um quilômetro do Kremlin para protestar contra o que consideram uma ameaça à liberdade democrática e para demandar votação justa para escolher um novo presidente em 2008. Grupos de policiais, atuando sob ordem de autoridades municipais para proibir a manifestação, atacaram participantes ao surgirem em pequenos grupos perto da praça e rapidamente os colocaram em ônibus, disseram testemunhas da Reuters. "As autoridades estão com medo de seus próprios cidadãos e não querem que eles interfiram no que está acontecendo no país, disse Mikhail Kasyanov, líder da coalização de oposição "Outra Rússia", que organizou o protesto. "Na véspera das eleições... claro que as autoridades estão com muito medo disso e as ações excessivas de hoje pela polícia (são prova disso)", afirmou Kasyanov, que foi primeiro-ministro de Putin. Um assistente de Kasparov, também líder da "Outra Rússia", confirmou que o ex-campeão de xadrez estava entre os detidos. Uma fonte da polícia disse que ele pode ser acusado por incitar a violência. Os manifestantes têm pouca influência na Rússia. A grande maioria de eleitores apóia Putin. Mas os partidários do Kremlin afirmam que os oposicionistas são extremistas perigosos que tramam uma revolução. O protesto ocorre um dia depois de o multimilionário Boris Berezovsky ter dito, em entrevista no seu escritório em Londres para um jornal, que ele estava fomentando uma revolução na Rússia. Os manifestantes procuraram se distanciar de Berezovsky. Quatro jornalistas da Reuters foram detidos ao cobrir os conflitos. Todos foram liberados sem acusação.

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