Polícia russa prende 30 em ato contra Putin

A polícia russa prendeu ontem cerca de 30 manifestantes, entre eles dois líderes da oposição, após dispersar um protesto de 300 pessoas contra o presidente Vladimir Putin. Foi o terceiro dia de atos de rua contra o líder russo, que tomou posse na segunda-feira. Hoje, o ex-presidente Dmitri Medvedev deve tomar posse como premiê - cargo ocupado por Putin no seu mandato -, mas com poderes reduzidos.

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2012 | 03h08

As detenções duraram algumas horas e os ativistas foram liberados no fim do dia. Na segunda-feira, 300 prisões foram efetuadas. No domingo, véspera da posse, um ato contra Putin reuniu cerca de 20 mil pessoas na capital russa. Desde as eleições parlamentares do ano passado, a insatisfação da oposição contra o presidente da Rússia tem aumentado.

Ontem, os manifestantes tentaram evitar o cerco policial se reunindo em outras praças. "Se formos expulsos daqui, mudaremos para outras praças", disse o opositor Sergei Udaltsov. "Nosso objetivo é colocar pessoas nas praças todos os dias para lutar pela democracia. É uma tática simples, mas que pode ser bem-sucedida."

O jogo de "gato e rato" entre a polícia e os manifestantes começou na segunda-feira, na Praça Vermelha. Desalojados de lá, concentraram-se ontem na Praça Chistiye Prudy. Com a repressão, buscaram uma terceira praça.

O secretário de imprensa de Putin, Dmitri Peskov disse que a polícia foi "gentil demais" com os manifestantes. "Deviam ter esmagado a cara deles no asfalto", reagiu, ao ser questionado por um deputado da oposição sobre a repressão policial.

Dança das cadeiras. O Parlamento russo aprovou ontem por 299 votos a 144 a indicação do ex-presidente Dmitri Medvedev para ser o premiê de Putin. Assim, completa-se a troca de cargos entre os dois, ainda que Medvedev tenha menos poderes do que o antecessor quando era primeiro-ministro. A posse deve ocorrer hoje.

"Agradeço a vocês pela confiança depositada em mim", disse Medvedev. "Tenho a certeza absoluta de que podemos trabalhar juntos." / AP e REUTERS

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