Polícia russa prende 475 em 2º dia de protestos

Governo envia tropas para patrulhar ruas de Moscou; segundo agência de notícias, detenções ocorreram em 3 cidades do país

MOSCOU , O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2011 | 03h03

Policiais entraram em confronto ontem com manifestantes em Moscou, São Petersburgo e Rostov, no segundo dia consecutivo de protestos contra o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e seu partido, o Rússia Unida, acusados de fraudar as eleições parlamentares de domingo. Pelo menos 475 ativistas foram presos.

De acordo com a agência Associated Press, pelo menos 250 pessoas foram detidas em Moscou por disparar fogos de artifício contra partidários do Rússia Unida que faziam uma passeata em apoio ao premiê no centro da capital. Outros 200 dissidentes foram presos em São Petersburgo por participar de um "protesto não autorizado". A polícia deteve outros 25 manifestantes em Rostov-on-Don. Entre os presos estão o escritor Eduard Limonov, líder do grupo dissidente A Outra Rússia, Sergei Mitrokhin, do movimento Yabloko, também de oposição, e Boris Nemtsov, que foi vice-premiê de Bóris Yeltsin, em 1998.

O Ministério do Interior admitiu que enviou 50 mil homens para garantir a segurança em Moscou. Eles permanecerão nas ruas da capital russa até o fim da semana, quando serão anunciados os resultados definitivos da votação.

Com 96% dos votos apurados, o Rússia Unida conquistou 238 das 450 cadeiras na Duma (Parlamento), 77 a menos do que nas últimas eleições, em 2007. Apesar de ter perdido poder, Putin, que é o favorito para vencer as eleições presidenciais do ano que vem, manteve a maioria legislativa.

Em segundo lugar ficaram os comunistas, que obtiveram 92 cadeiras. No entanto, muitos partidos de oposição não puderam concorrer porque tiveram seu registro negado.

ONGs, observadores internacionais e jornalistas independentes também reclamaram que não tiveram acesso a determinadas seções eleitorais, que encontraram urnas com cédulas preenchidas antes do início da votação e denunciaram várias tentativas de compra de votos.

Alguns líderes opositores foram presos na segunda-feira, quando 10 mil pessoas saíram às ruas de Moscou em uma das maiores manifestações contra o governo em anos.

Ontem, Ilya Yashin, líder do grupo Solidarnost ("Solidariedade), e o blogueiro Alexei Navalni, que estavam entre os cerca de 300 detidos no primeiro dia de protestos, foram condenados a 15 dias de prisão. "Foi uma decisão política", disse Yashin. "Mas não abandonaremos nossa luta."

Provocação. O senador republicano John McCain postou uma mensagem para Putin no Twitter. "Meu caro Vlad, a primavera árabe está chegando na vizinhança." Muitos especialistas em Rússia, no entanto, não acreditam que o Kremlin perca o controle da situação, como ocorreu na Líbia e no Egito.

Após se reunir com outros líderes do Rússia Unida, Putin disse ontem que fará uma ampla reforma ministerial quando assumir o governo - as eleições presidenciais estão marcadas para março. Apesar de ter caído nos últimos meses, a popularidade do premiê ainda é alta e ele é o grande favorito para obter um novo mandato de quatro anos.

/ REUTERS e AP

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