REUTERS/Anton Vaganov
REUTERS/Anton Vaganov

Polícia russa prende 830 em atos contra reforma da aposentadoria

Manifestações foram convocadas pelo principal opositor do Kremlin e ocorreram em 80 cidades

O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 21h04

MOSCOU - Pelo menos 830 manifestantes foram presos neste domingo (9) na Rússia após milhares de partidários do líder opositor preso Alexei Navalni, convocados por ele, saírem às ruas de 80 cidades para protestar contra a impopular reforma da aposentadoria apoiada pelo presidente Vladimir Putin.

O maior número de prisões ocorreu nas cidades de São Petersburgo e Ekaterina, segundo a organização OVD-Info, que acompanhou as prisões. Em Moscou, ao menos 2 mil pessoas se concentraram no centro da capital. “O poder nos tirou tudo, até a última migalha. Meu pai e minha mãe vão trabalhar durante muito tempo. Essa é a gota d’água”, afirmou a manifestante Tatiana Rechetskaia, de 21 anos. 

Há meses, o presidente Putin e outras autoridades enfrentam o descontentamento da população com o projeto que aumenta a idade para a aposentadoria de 55 para 60 anos para mulheres e 65 para homens. 

Neste domingo, ao mesmo tempo em que milhares de manifestantes estavam nas ruas, ocorriam as eleições regionais.

As mudanças para a aposentadoria, que atualmente tramitam no Parlamento, reduziram cerca de 15 pontos porcentuais o índice de popularidade do presidente Putin, que atenuou a medida. Anteriormente, a idade para aposentadoria das mulheres passaria a 63 anos.

Elas são a medida governamental mais impopular desde o movimento de 2005 para acabar com os benefícios da era soviética, o que levou a protestos de aposentados em todo o país.

Navalni, expulso da TV estatal e impedido de concorrer com Putin à presidência no início deste ano, havia planejado liderar o protesto em Moscou deste domingo, mas um tribunal o condenou no mês passado por violar as leis de protesto e o prendeu por 30 dias. No último sábado (8), após pressão de Moscou, o Google retirou do YouTube as convocações aos protestos postadas pela equipe de Navalni. / AFP e REUTERS

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