Polícia russa prende ladrões de urânio enriquecido

A polícia russa prendeu sete pessoas que tentavam vender mais de um quilo de um tipo de urânio enriquecido que pode ser utilizado na fabricação de armas, informou nesta quinta-feira a televisão russa.Os homens foram detidos na cidade de Balashikha, nos arredores de Moscou, quando tentavam vender uma cápsula de urânio-235 por US$ 30,000.00, informou a NTV, durante seu noticiário noturno. Os suspeitos foram indiciados por porte ilegal de materiais nucleares, segundo a tevê.Se as acusações se mostrarem verdadeiras, este será o primeiro caso oficialmente confirmado na Rússia de roubo de materiais nucleares próprios para a fabricação de armas.Durante a crise econômica que se seguiu ao colapso da União Soviética, ocorriam apreensões periódicas de materiais nucleares roubados por pessoas que tentavam vendê-los para obter lucro, mas todos os casos envolviam urânio ou césio de baixa atividade, ambos impróprios para a fabricação de armas nucleares.Autoridades russas negavam constantemente informações referentes a roubos de materiais nucleares próprios para a produção de armamentos.De acordo com a reportagem, os suspeitos supostamente pertenciam a uma gangue do crime organizado de Balashikha.A polícia prendeu primeiro pessoas que tentavam vender o material numa lanchonete de beira de estrada. Os suspeitos levaram a polícia até a casa de uma outra pessoa que guardava urânio em casa. A data das prisões e outros detalhes sobre o crime não foram esclarecidos.Um policial da delegacia de Balashikha responsável pelo caso disse à Associated Press que estava ciente do ocorrido, mas não tinha detalhes sobre o assunto. De acordo com ele, o Serviço de Segurança Federal (FSB), principal sucessor da KGB, está conduzindo as investigações. O policial pediu para que seu nome fosse mantido em segredo.Um porta-voz do Ministério do Interior da Rússia também disse que a investigação estava sob responsabilidade da FSB. Um oficial da FSB recusou-se a comentar o caso.A NTV entrevistou Nikolai Shingarev, porta-voz do Ministério de Energia Nuclear da Rússia, segundo quem, há diversas usinas em Moscou e seus arredores onde é possível obter o material, muitas vezes utilizado em pesquisas nos reatores nucleares.Alexander Koldobsky, pesquisador do Instituto de Engenharia e Física de Moscou, disse à NTV que a quantidade de urânio encontrada é insuficiente para produzir uma arma nuclear.Koldobsky expressou ceticismo sobre o caso. Para ele, a apreensão parece mais uma provocação do que um fato consumado.

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