Polícia sul-africana isola vilarejo onde Mandela nasceu

Enquanto governo intensifica preparativos para sepultamento, mais de 34 mil pessoas já passaram pelo velório do ex-presidente

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL , JOHANNESBURGO, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2013 | 02h04

A polícia da África do Sul isolou o vilarejo de Qunu, onde Nelson Mandela nasceu e será sepultado no domingo. A iniciativa faz parte dos preparativos para o funeral do homem que liderou a luta contra o apartheid. Até o meio-dia de ontem, segundo dia de velório em Pretória, mais de 34 mil pessoas haviam comparecido ao Union Buldings, sede da presidência, para se despedir de Madiba.

Os arredores do vilarejo foram isolados pela polícia, que controla o acesso de carros a Qunu, situada a 800 quilômetros de Johannesburgo, por razões de segurança. O aeroporto mais próximo, em Mthatha, foi fechado para aviões comerciais e uma zona de exclusão aérea foi criada na região para que apenas voos autorizados possam aterrissar. É o caso da aeronave que conduzirá o príncipe Charles, da Grã-Bretanha, que comparecerá ao funeral.

No vilarejo, uma estrutura para receber até 5 mil pessoas está sendo montada para acolher os líderes políticos que preferiram comparecer ao sepultamento - e não à homenagem realizada na terça-feira em Soweto. Os lugares serão reservados a familiares, amigos e políticos. A região receberá no sábado o corpo de Mandela, que será transportado por avião.

Em Johannesburgo, admiradores do ex-presidente sul-africano também compareceram à Praça Nelson Mandela, no bairro de Sandton, para levar flores e prestar homenagem diante da estátua de Mandela. Na quarta-feira, 14 mil foram ao velório - no total, 34 mil visitaram o corpo até ontem.

Legado. "Algo que eu gosto muito na sua história de vida é que a África do Sul e seu povo entenderam a sua mensagem", afirmou o advogado de origem britânica James Moodley, que passava pela praça com as duas filhas. "Não creio que o país possa mudar para pior porque Madiba não está mais conosco."

Para o estudante negro Lucas Naidoo, o momento é de sentir orgulho de seu país pela importância de Mandela, revelada pela atenção dada por líderes políticos e pela imprensa mundial às homenagens póstumas. No entanto, de acordo com ele, o futuro é muito mais incerto sem o grande líder.

"Não sou muito ligado à política e não tenho certeza de que seu legado esteja sendo respeitado. Contudo, se os homens que o sucederem tiverem a clareza de seguir seus passos, tenho certeza de que sua missão terá sido cumprida", declarou.

Os questionamentos sobre o futuro político da África do Sul cresceram na semana após a cerimônia fúnebre realizada no Soccer City, em Soweto, quando o presidente Jacob Zuma, do partido Congresso Nacional Africano (CNA), o mesmo de Mandela, foi vaiado várias vezes.

Sucessão. Em 2014, o país passará por novas eleições presidenciais, quando Zuma, provavelmente, concorrerá a um novo mandato. Desde 1994, quando ocorreram as primeiras eleições multirraciais da história da África do Sul, o CNA sempre obteve no mínimo 60% dos votos.

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