Polícia sul-africana prende 1.500 em igreja

Bispo classifica ação como "desprezível"; policiais dizem que procuravam drogas, armas e imigrantes ilegais

BBC Brasil,

31 de janeiro de 2008 | 10h07

A polícia da África do Sul invadiu a Igreja Metodista central de Johanesburgo, prendendo 1.500 mendigos e zimbabuanos que estavam abrigados no local. Dezenas de policiais, alguns fortemente armados, invadiram o complexo da igreja, prenderam os refugiados e os levaram para a prisão. A polícia afirma que estava procurando drogas, armas e imigrantes ilegais, mas o bispo da igreja, Paul Verryn, descreveu a ação como uma violação ao santuário da igreja. "Acho que (a ação) é desprezível", disse ele à BBC.  A ação policial da noite de quarta-feira, 30, foi a primeira que teve como alvo a igreja metodista, que é amplamente respeitada como abrigo para algumas das pessoas mais desesperadas da cidade.  O correspondente da BBC em Joanesburgo Peter Greste afirma que, até recentemente, as autoridades tinham uma atitude relativamente tolerante com os centenas de milhares de refugiados que fogem da crise política e econômica do Zimbábue.  Mas com a própria economia começando a sentir o peso desses refugiados, o governo começou a endurecer essa atitude, afirma Greste. Estima-se que três milhões de zimbabuanos estejam morando na África do Sul.  "Violação dos direitos"  O bispo Verryn afirmou que a maneira como a polícia lidou com os detidos durante a ação na igreja foi uma clara violação de seus direitos. "Até agora, não vi nenhuma notícia de que foram encontradas armas no local" disse o bispo ao programa World Today, da BBC. O bispo defendeu que a igreja deveria oferecer abrigo para aqueles que podem não ter o direito de permanecer na África do Sul. Além dos 1.200 mendigos e refugiados do Zimbábue que normalmente dormiam dentro da igreja, havia outras 500 pessoas no pátio. Alguns dos detidos, cujos documentos estavam em ordem, já retornaram à igreja.  Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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