Polícia suspeita que astro da BBC abusou de 300

Autoridades de Londres preparam prisões ligadas ao escândalo sexual, que afeta também o jornal 'New York Times'

LONDRES, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2012 | 03h00

O ex-apresentador de programas infantis da BBC Jimmy Savile, um dos principais astros da emissora britânica - morto em outubro do ano passado aos 84 anos e suspeito de ter atuado como um predador sexual por décadas -, pode ter feito até cem vítimas a mais do que o anteriormente divulgado.

A Polícia Metropolitana de Londres afirmou ontem que cerca de 300 menores sofreram abusos ou estupros e se prepara para efetuar prisões relacionadas ao caso. James Wilson Vincent Savile já é considerado um dos principais agressores sexuais da história da Grã-Bretanha. Na quarta-feira, advogados que representam aproximadamente 30 das supostas vítimas disseram à agência de notícias Reuters que, segundo suas clientes, outras celebridades envolveram-se nos abusos - que ocorriam até dentro das instalações da emissora onde o suspeito tornou-se celebridade nas décadas de 70 e 80.

"Estamos preparando uma estratégia de prisões agora", disse ontem o comandante Peter Spindler, em nome da Polícia Metropolitana, acrescentando que não podia divulgar o nome dos suspeitos ou dizer se eles também trabalhavam para a BBC na época dos crimes.

O caso foi revelado pela a emissora britânica ITV há pouco mais de três semanas. O chefe policial afirmou que, desde então, 130 supostas vítimas foram entrevistadas pelas autoridades, que registraram 114 relatos de abusos sexuais de Savile.

Considerado um eficiente arrecadador de fundos para caridade, o suspeito teria agredido sexualmente até menores pacientes de hospitais mantidos por dinheiro levantado por ele. A polícia de Yorkhire, no norte da Inglaterra, investiga a família de Savile e uma propriedade dele na Escócia foi revistada.

O ex-diretor da BBC Mark Thompson - que deve assumir a presidência do New York Times no dia 12 - foi acusado de acobertar o caso. Enquanto a emissora britânica estava sob seu comando, uma reportagem do programa Newsnight sobre Savile foi cancelada quando estava pronta para ser posta no ar. Thompson disse, no dia 13, que não sabia da matéria que, segundo ele, foi suspensa por razões "jornalísticas".

A ombudsman do jornal de Nova York, Margareth Sullivan, criticou Thompson em sua coluna publicada na quarta-feira. Margaret exigiu que o NYT cubra "agressivamente" o caso e o suposto acobertamento de Thompson. / REUTERS e NYT

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