Polícia tailandesa fere 100 ao dispersar cerco ao Parlamento

Oficiais usaram bombas de gás lacrimogêneo; repressão a protestos causa renúncia de vice na Tailândia

Agências internacionais,

07 de outubro de 2008 | 08h05

Cerca de 100 pessoas ficaram feridas depois de a polícia tailandesa usar gás lacrimogêneo em três confrontos com manifestantes que cercavam o Parlamento do país. Os policiais tentavam liberar a passagem dos parlamentares, que chegaram a ficar sitiados no interior do edifício. Nos arredores do local, a explosão de um carro matou pelo menos uma pessoa. A polícia suspeita que uma bomba tenha provocado o incidente, mas não deu mais detalhes.   O vice-primeiro-ministro da Tailândia, Chavalit Yongchaiydh, renunciou após assumir responsabilidade sobre a ação da polícia. Até 8 mil manifestantes cercavam o prédio, onde se encontravam centenas de deputados e senadores. A polícia já havia usado gás lacrimogêneo durante a entrada dos parlamentares, mas os manifestantes voltaram a se reagrupar e bloquear a entrada. Os manifestantes do partido Aliança Popular para a Democracia (PAD, na sigla em inglês) deslocaram-se da sede do governo, onde estão acampados desde o final de agosto, e que fica próxima ao Parlamento. Eles tentavam evitar a entrada dos integrantes do governo do primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, que tinha previsto realizar seu primeiro discurso na Câmara Baixa. Eles também queriam evitar a votação de um projeto para emendar a Constituição.   A cerca de um quilômetro do local dos confrontos, uma pessoa não identificada foi morta quando um jipe explodiu, segundo afirmou um membro da coalizão governistas. A polícia suspeita de que um artefato tenha sido detonado.   Segundo a BBC, Os manifestantes da Aliança do Povo pela Democracia (PAD, na sigla em inglês) acusam o governo de Somchai de ser um fantoche do ex-premiê Thaksin Shinawatra, que havia sido deposto em um golpe militar em 2006 - mas que, segundo a oposição, continua controlando o poder no partido governista, o Partido do Poder Popular (PPP). O PPP chegou ao poder nas eleições gerais de dezembro passado, convocadas pelo regime militar interino que governou o país após o golpe de 2006.   Somchai é cunhado de Thaksin, que se mudou para o Reino Unido em julho. Os manifestantes ocuparam prédios do governo nas últimas seis semanas em um protesto pacífica para exigir a renúncia dos integrantes do atual governo.   Depois de um mês de relativa calma, os protestos voltaram a ganhar força no final de semana, quando dois líderes do PAD foram presos. O governo de Somchai afirma que quer iniciar negociações com o grupo, mas está defendendo planos polêmicos de emendas constitucionais – uma ação vista com descontentamento pelos integrantes do PAD, que acreditam que as reformas são parte de um plano para levar Thaksin de volta ao poder. A oposição, formada em grande maioria por ferrenhos defensores da monarquia, acredita que Thaksin e seus aliados teriam a intenção não declarada de transformar a Tailândia em uma república.

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