Polícia tenta conter chamados para protestos na China

Ativistas e advogados de direitos humanos foram presos ou colocados sob estrita vigilância; áreas de 13 cidades que seriam palco de manifestações foram ocupadas pelas forças de segurança do país

Cláudia Trevisan, correspondente em Pequim

20 de fevereiro de 2011 | 12h13

Ativistas e advogados de direitos humanos foram presos ou colocados sob estrita vigilância neste domingo, 20, na China, ao mesmo tempo em que a polícia ocupou áreas de 13 cidades que seriam palco de protestos contra o governo convocados por mensagens que circularam na internet.

Poucos manifestantes responderam ao chamado, mas a forte presença de policiais e de jornalistas estrangeiros atraiu a atenção dos que passavam no domingo em uma das principais ruas comerciais de Pequim, a Wangfujing.

As mensagens que defendiam uma “Revolução do Jasmim” no país foram originalmente colocadas em um site em chinês nos Estados Unidos, o Boxun. No sábado, elas começaram a circular em microblogs na China e no Twitter, que apesar de bloqueado é acessível para o cada vez maior número de internautas que usam ferramentas para contornar a censura.

O texto propunha que as pessoas se reunissem em centros comerciais de 13 cidades, entre as quais Pequim e Xangai, e gritassem o slogan “queremos comida, queremos trabalho, queremos casa, queremos justiça”.

Apesar do baixo alcance das mensagens entre a população do país, o governo chinês preferiu agir de maneira preventiva. O advogado Xu Zhiyong, que atua na área de direitos humanos, disse ao Estado que ficou sob vigilância policial das 10h às 17h de ontem. Xu disse que podia sair de casa, mas era seguido todo o tempo.

Ao redor de 15 ativistas foram presos ou colocados sob vigilância a partir da noite de sábado. Entre os que foram detidos estava o advogado Teng Biao, que em 2008 assinou com Hu Jia o manifesto “A China Real e a Olimpíada” _Hu foi condenado em abril de 2008 a 3,5 anos de prisão sob a acusação de subversão. O celular de Teng estava desligado ontem e sua última mensagem no Twitter foi colocada no sábado. Os advogados Zhang Tian Yong e Tang Jitian também foram detidos.

Segundo agências de notícias internacionais, pelo menos três pessoas foram levadas pela polícia em Pequim na aglomeração que se formou em frente à loja do McDonald´s na Wangfujing, que seria o local do protesto. Uma delas quando carregava flores de jasmim. Em Xangai, quatro pessoas foram detidas, entre as quais um estudante que foi interrogado por três horas.

A censura chinesa bloqueou microblogs que tivessem a expressão “Revolução do Jasmim”, uma referência ao movimento que levou à queda do governo da Tunísia em janeiro e deu origem à onda de manifestações pró-democracia nos países árabes.

A imprensa oficial chinesa já vinha tratando com cuidado as informações sobre os protestos no Egito e microblogs ou fóruns de discussão que contivessem as palavras “Egito” ou “Cairo” estavam censurados.

No sábado, o presidente Hu Jintao defendeu o aumento dos controles sobre a internet, em discurso proferido na Escola Central do Partido Comunista. “Atualmente, nosso país tem uma importante janela estratégica para o desenvolvimento, mas também vive um período de aumento dos conflitos sociais”.

Para enfrentar as turbulências, o governo deve “aperfeiçoar a administração” da internet e da “sociedade virtual” e estabelecer mecanismos para “guiar” a opinião pública - eufemismo para censura e propaganda.  

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