Murad Sezer/Reuters
Murad Sezer/Reuters

Polícia turca detém 100 pessoas em celebrações do 1º de Maio

Manifestantes tentavam acessar a simbólica Praça Taksim; moradores do centro de Istambul e turistas são afetados por bloqueio

O Estado de S. Paulo

01 de maio de 2015 | 10h51

Istambul - Pelo menos 70 pessoas foram presas nesta sexta-feira, 1, pela polícia turca, que bloqueia o centro de Istambul para evitar celebrações do 1º de Maio na simbólica praça de Taksim.

Mais de 20 mil policiais e 70 veículos armados controlam o acesso à Taksim em um raio de três quilômetros, com barreiras, interrupções nos serviços de transporte e até mesmo fechamento do espaço aéreo.


Segundo a imprensa turca, outros 30 integrantes do Partido Comunista também foram detidos pelas autoridades ao tentar chegar à praça através de um hotel próximo. Eles resistiram à prisão formando uma corrente humana com seus braços e pernas.

Agentes à paisana estão fazendo prisões aleatórias de pessoas que consideram como suspeitos, de acordo com o jornal "Hurriyet". Além disso, vários grupos de manifestantes foram dispersados após o uso de gás lacrimogêneo, diz o site "BirGun Daily".

Moradores do centro da cidade reclamam que a operação está impedindo que eles cheguem ao trabalho. Doentes também não podem ser levados aos hospitais da região.

Turistas que estão hospedados em hotéis próximos à Taksim não conseguem passar pelas barreiras policiais e estão sendo obrigados a contornar os bloqueios carregando bagagens a pé.

O escritório do governador de Istambul afirmou em comunicado que não permitirá a realização de atos na praça. Aqueles que desejarem celebrar o Dia do Trabalho deverão se dirigir a oito regiões da capital usadas para esse tipo de manifestações.

O Comitê do 1º de Maio, formado por sindicatos nacionais de várias categorias profissionais, insiste em realizar os atos na praça Taksim e ainda tenta negociar com as autoridades.

O presidente de uma das entidades, Mehmet Soganci, afirmou à Agência Efe que a cidade estava sob bloqueio. Ônibus estão sendo impedidos de levarem as pessoas a certos pontos de encontro e há notícias de várias prisões, algo também informado pela "CNNTURK".

"São cenas fascistas. Já foi visto em outras ocasiões que nada acontece e que o 1º de Maio é celebrado pacificamente quando a polícia não interfere e a Taksim está aberta. Vamos depositar flores na praça, mas também teremos cuidado com as provocações", afirmou.

O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse ontem que permitiria as oferendas florais na praça, onde 34 pessoas foram assassinadas e outras 120 ficaram feridas em 1997, data conhecida no país como Domingo Sangrento. / EFE

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