Polícia usa gás contra manifestantes na China

Uma tropa de choque da polícia chinesa usou gás lacrimogêneo na sexta-feira para dispersar um protesto contra um projeto de usina termoelétrica, e uma TV estatal exibiu confissões de dois ativistas presos, numa óbvia tentativa de convencer os manifestantes a saírem das ruas.

REUTERS

23 de dezembro de 2011 | 08h52

Imagens da Cable TV, de Hong Kong, mostraram a polícia disparando várias cápsulas de gás na localidade de Haimen, no sul da próspera província de Guangdong. Centenas de pessoas então são vistas correndo, algumas cobrindo a boca e o nariz com as mãos.

Horas depois, uma TV local mostrou as entrevistas com dois manifestantes presos - um homem de sobrenome Li, e uma mulher de sobrenome Yung. Sentados atrás das grades, de cabeça baixa e com algemas à mostra, eles se revezavam nas confissões.

"Foi errado cercar o governo e bloquear a rodovia", disse Li, de olhos baixos.

"Não conheço a lei. Se conhecesse, não bloquearia a via expressa. Se eu tivesse entendido isso, não teria sido tão impulsiva", afirmou Yung, com voz trêmula.

Numa óbvia tentativa de dissolver os protestos, que já entraram no quarto dia, a TV Shantou trouxe vários juristas para falarem que as ações cometidas acarretam penas de até cinco anos de prisão.

Os protestos em Haimen se intensificaram nesta semana, enquanto a 130 quilômetros da aldeia, na localidade litorânea de Wukan, a população encerrou dez dias de protesto contra um confisco de terras.

(Reportagem de Sisi Tang e Alison Leung)

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