Uriel Sinai/The New York Times
Uriel Sinai/The New York Times

Polícia vai à residência de Netanyahu para ouvir depoimento de premiê sobre casos de corrupção

Primeiro-ministro e a mulher Sara foram ouvidos de modo separado para averiguar se eles tentaram obter algum benefício do diretor da Bezeq, maior grupo de telecomunicações de Israel

O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 14h37

JERUSALÉM - A polícia israelense compareceu nesta sexta-feira, 2, à residência do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, onde ouviu seu depoimento no âmbito das investigações por casos de corrupção que ameaçam seu governo.

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Dois veículos da polícia entraram na residência em Jerusalém às 9h (4h em Brasília). Enquanto isso, a mulher do premiê, Sara Netanyahu, era interrogada em Lod, na sede da Lahav 413, a polícia federal israelense, de acordo com a imprensa local.

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Os policiais ouviram de modo separado Netanyahu e sua mulher para averiguar se eles tentaram obter algum benefício de Shaul Elovitch, diretor da Bezeq, maior grupo de telecomunicações de Israel, e do portal de notícias Walla.

Embora o primeiro-ministro, no poder há 12 anos, não tenha sido oficialmente indiciado em nenhum dos seis casos que o envolvem direta ou indiretamente, a situação de Netanyahu se complica cada vez mais.

Elovitch é um dos principais suspeitos no caso Bezeq. A investigação foi aberta em 2017, mas só ganhou destaque no dia 18 de fevereiro com a detenção do diretor e de outras seis pessoas, incluindo dois colaboradores próximos do premiê.

Um dos detidos no fim de fevereiro, Shlomo Filber, ex-diretor geral do Ministério das Comunicações e conhecido como um dos poucos homens de confiança de Netanyahu, negociou com os investigadores um acordo de cooperação em troca da posição de testemunha protegida, com garantias de não ser enviado para a prisão, segundo informações da imprensa confirmadas pela polícia. Filber é suspeito de ter atuado, quando ocupava o cargo no ministério, como intermediário entre os Netanyahu e Elovitch.

A polícia quer apurar se os Netanyahu tentaram garantir uma cobertura favorável do Walla em troca de favores do governo, que poderiam ter significado milhões de dólares para a Bezeq, afirma a imprensa.

Os policiais estão em posse de elementos comprometedores, como gravações de conversas de Elovitch, e mensagens enviadas por Sara Netanyahu para a mulher de Elovitch, segundo veículos de comunicação.

"Fake news (notícias falsas). Nunca aconteceu nada semelhante", afirmou o gabinete do premiê na quinta-feira nas redes sociais. Netanyahu, no entanto, enfrenta a perspectiva do depoimento potencialmente devastador de qualquer uma das pessoas detidas no dia 18 de fevereiro.

Os policiais também esperam interrogar Netanyahu sobre um caso que envolve suspeitas de corrupção a respeito da venda pela Alemanha a Israel de três submarinos de guerra fabricados pela ThyssenKrupp.

Em outros dois casos que envolveriam o primeiro-ministro, há a suspeita de que Netanyahu e membros de sua família receberam presentes de luxo avaliados em um milhão de shekels (US$ 285 mil) de personalidades em troca de favores financeiros ou pessoais.

Netanyahu alega inocência em todos os casos e denuncia uma "caça às bruxas" da imprensa e da oposição, ao mesmo tempo em que afirma estar determinado a permanecer no poder. / AFP

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