EFE/CRISTIAN HERNÁNDEZ
EFE/CRISTIAN HERNÁNDEZ

CNE validou assinaturas para referendo contra Maduro, diz oposição

Segundo secretário da MUD, Poder Eleitoral considerou aptas 1,3 milhão de firmas, seis vezes mais que o necessário

O Estado de S. Paulo

07 Junho 2016 | 19h18

CARACAS - A oposição venezuelana anunciou na noite desta terça-feira que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) considerou válidas mais de 1,3 milhão de assinaturas – do total de 1,8 milhão apresentadas em 2 de maio –, exigidas como primeiro passo para ativar o processo de referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro.

“Segundo a informação que recebemos, temos mais de 1,3 milhão de assinaturas declaradas aptas, válidas. Como os senhores sabem, o CNE estava exigindo apenas 195.321 (assinaturas), por isso podemos dizer que temos seis vezes mais assinaturas que as necessárias”, disse a jornalistas o secretário da Mesa de Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba. Ele fez o anúncio após reunião de dirigentes da MUD com Luis Emilio Rondón, um dos cinco responsáveis pelo Poder Eleitoral.

Torrealba informou que o CNE anunciará nesta quarta-feira o procedimento de ratificação destas assinaturas, que deverá ser feito em cinco dias com base em impressões digitais. Após a confirmação das firmas, a oposição deverá recolher quatro milhões de assinaturas (20% do padrão) para que o referendo seja convocado.

"A partir deste processo de verificação mal feito, mal instrumentado e com a ajuda de um software absolutamente irregular, conseguiram nos tirar 600 mil firmas, mas nos restam mais de 1,3 milhão, com as quais é perfeitamente possível passar à segunda fase do processo". Torrealba afirmou que o CNE utiliza um "procedimento de verificação viciado, absurdo, que tem erros" que levam a exclusão de milhares de assinaturas. "Isso faz parte da resistência que está montando a cúpula corrupta e ineficiente do governo para tentar deter, retardar o processo de referendo revogatório", afirmou o secretário-executivo da MUD.

A oposição luta para que o referendo ocorra antes de janeiro de 2017, quando Maduro conclui seu quarto ano de mandato. Caso o mandato presidencial seja revogado neste período, haverá novas eleições. Se o referendo for realizado após janeiro de 2017 e Maduro cair, assumirá o vice-presidente, Aristóbulo Istúriz, da chapa chavista.

Ainda nesta terça-feira, a polícia venezuelana reprimiu, usando balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, uma marcha liderada em Caracas pelo opositor Henrique Capriles. A manifestação buscava pressionar o CNE a dar continuidade ao processo revogatório.

A oposição sustenta que o referendo é a "única válvula de escape" dos venezuelanos, esgotados pelo agravamento da escassez de alimentos e remédios, e pelo alto custo de vida. O país petrolífero, atingido pela queda dos preços do petróleo, tem a inflação mais alta do mundo, de 180,9% em 2015.

"Estamos aqui na rua para que Maduro saia, para que ocorra um revogatório. Queremos uma mudança no país. Estamos passando fome", declarou Richard Salas, um trabalhador administrativo que levava um cartaz com produtos que estão em falta no país.

Após a dispersão da manifestação, o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello acusou a oposição de semear a violência no país e denunciou o recebimento de ameaças de bomba em várias sedes regionais do Poder Eleitoral. “Isso não é comum e forma parte do expediente da direita”, disse. 

A oposição viu nas declarações de Cabello indícios de que o governo busca um pretexto para prender Capriles – a exemplo do que ocorreu com outro líder opositor, Leopoldo López. / AFP

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