Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Polícia venezuelana reprime protesto contra prisão de prefeitos da oposição

Soldados da Guarda Nacional usam bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra estudantes que pediam a libertação de políticos opositores

Denise Chrispim Marin, Enviada Especial / Caracas, O Estado de S. Paulo

20 de março de 2014 | 23h34

CARACAS - A Guarda Nacional Bolivariana reagiu com disparos de balas de borracha e gás lacrimogêneo a uma manifestação na quinta-feira, 20, em Caracas, contra a prisão de dois prefeitos da oposição. O confronto ocorreu na região de Bello Monte, local definido para um protesto contra a detenção de Daniel Ceballos, prefeito de San Cristóbal, capital do Estado de Táchira, e Enzo Scarano, prefeito de San Diego, Estado de Carabobo.

As prisões foram consideradas ilegais pelos líderes do partido oposicionista Vontade Popular (VP). No protesto estavam presentes o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, e o governador de Miranda, Henrique Capriles, único líder da oposição que se mostra disposto a dialogar com o governo de Nicolás Maduro. A maioria dos manifestantes era formada por estudantes, que reagiram à ação militar.

Menos de 24 horas depois da prisão de Scarano, a chefe do Conselho Nacional Eleitoral, Sandra Oblitas, informou que será, em breve, estabelecido um calendário de eleição em San Diego. Scarano foi preso nesta quinta quando apresentava uma medida cautelar ao Tribunal Superior de Justiça (TSJ) sob a acusação de desacato à autoridade. Ceballos foi preso por cerca de 20 agentes fortemente armados do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) em um hotel de Caracas.

Os agentes se negaram a apresentar a ordem judicial de prisão a sua advogada, Ana Leonor Acosta, e sugeriram que ela fosse buscar o documento na sede do Sebin. Somente depois de três horas, ela conseguiu confirmar o paradeiro de Ceballos - no mesmo centro penitenciário militar em Los Teques onde está preso, há um mês, o líder do VP, Leopoldo López.

Ceballos é acusado pela Justiça de ter sido conivente com os protestos e com os estudantes que montaram barricadas em San Cristóbal e também de participar de uma rebelião contra o governo. "Eu gritava aos agentes do Sebin que isso era um sequestro. Até agora não foi entregue a ordem judicial de prisão do prefeito. Continua a ser um sequestro", afirmou Ana Leonor ao Estado.

Em nome da oposição, o prefeito de El Hatillo, David Smolansky, afirmou que o governo de Maduro pretende aniquilar o VP e insistiu que a única forma de reação será engrossar os protestos "organizados e pacíficos". Uma grande manifestação, que reunirá marchas vindas de cinco pontos de Caracas, foi convocada pela oposição para sábado.

"Não há condição para dialogar com um governo que reprime, aprisiona prefeitos e estudantes, além de lançar gás lacrimogêneo e de pôr seus tanques nas ruas para intimidar a população", afirmou Smolansky, na sede do VP, em Caracas. "Com a prisão dos dois prefeitos, Maduro nos dá um golpe de Estado municipal e desconhece a vontade dos eleitores."

A líder estudantil Gaby Arellano disse que, nas últimas 48 horas, 525 estudantes foram presos, acusados de terrorismo, de apoiar a delinquência e de rebelião. A Procuradoria-Geral da República informou que aumentou para 31 o número de mortos em protestos na Venezuela desde 12 de fevereiro. Dessas vítimas, 25 são civis e 6, agentes de segurança.

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