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Polícia volta a reprimir mineiros grevistas na África do Sul

Policiais dispararam balas de borracha nos trabalhadores da mina de platina da Anglo American Platinum

AE, Agência Estado

30 de outubro de 2012 | 19h13

A polícia da África do Sul voltou a reprimir mineiros em greve nesta terça-feira, 30, desta vez na mina de platina de Rustenberg, operada pela Anglo American Platinum. Os policiais dispararam balas de borracha nos mineiros, que protestam por melhores salários e condições de trabalho. Não há informações sobre vítimas.

A repressão ocorreu quando expirou um ultimato feito pela Anglo American para que milhares de mineiros voltassem ao trabalho ou fossem demitidos. Os grevistas exigem que a empresa, maior mineradora de platina do mundo, atenda a suas reivindicações salariais.

Desde agosto, o setor de mineração da África do Sul vem sendo afetado por uma onda de greves que pararam a produção de ouro, platina e minério de ferro em diversas minas. A Anglo American é a última grande mineradora em atuação no país que ainda enfrenta paralisações.

Hoje, um representante de cerca de 12 mil grevistas disse que a manifestação continuará até que as reivindicações salariais do grupo sejam atendidas. Segundo Evans Ramokga, os grevistas estão insatisfeitos com a proposta de recontratar mineiros demitidos e de lhes conceder uma compensação única de 2 mil rands (quantia equivalente a cerca de US$ 230,00).

Ramokga negou também que os mineiros tenham cometido atos de violência, como acusa a polícia local. Os grevistas exigem receber salário mensal de 16 mil rands, ou US$ 1.800,00.

A repressão ao movimento grevista já resultou na morte de dezenas de pessoas, a maior parte delas no início das manifestações, em agosto. A brutalidade da polícia causou comoção nacional e internacional em meio às mais violentas demonstrações de força do Estado contra a população civil sul-africana desde o fim do regime racista do apartheid.

Apesar dos sucessivos episódios de repressão, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, negou no fim de semana que o país atravesse uma crise e assegurou que as greves demonstram que o país "é uma democracia e hoje as pessoas podem manifestar seus descontentamentos".

Com as paralisações, as mineradoras sul-africanas deixaram de arrecadar bilhões de dólares, o governo cortou suas projeções de crescimento econômico para 2012 e as agências de classificação de risco de crédito reduziram o rating soberano da África do Sul.

Com Dow Jones e AP

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