Rayner Peña / EFE
Rayner Peña / EFE

Policiais bloqueiam entrada da Assembleia Nacional da Venezuela por suposta ameaça de bomba

Legislativo adia para esta quarta-feira sessão para debater a ‘perseguição’ contra deputados que criticam o governo de Maduro

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2019 | 12h10

CARACAS - O Parlamento da Venezuela adiou a sessão ordinária desta terça-feira para quarta-feira após as forças de segurança bloquearem a entrada da Assembleia Nacional da Venezuela em razão de uma suposta ameaça de bomba. O líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela, acusou o governo de tentar “fechar” o Legislativo e convocou uma nova sessão para esta quarta-feira.

“Estão tentando fechar o Parlamento, a única instância reconhecida pelo mundo”, disse Guaidó à imprensa, enquanto seus colegas da Assembleia acusavam o governo chavista de usar a denúncia de bomba como uma desculpa para impedi-los de entrar no prédio, onde discutiriam o indiciamento de dez deputados opositores por um levante militar fracassado  contra o presidente Nicolás Maduro.

Desde as primeiras horas da manhã, a sede da Assembleia Nacional esteve cercada por membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) e do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) em razão de uma suposta ameaça de bomba da qual não foram divulgados mais detalhes. O contingente de militares da GNB fechou os acessos ao Palácio Legislativo e, posteriormente, aumentou o perímetro de isolamento.

“É algo recorrente. Não é a primeira vez que isso acontece”, disse deputada Manuela Bolívar, observando que se trata de “uma política para enfraquecer a Assembleia”. No dia 5 de janeiro, quando a legislatura começou, a Guarda Nacional também reportou explosivos no edifício. Manuela denunciou o incidente como “uma intimidação” em meio à disputa entre Guaidó, presidente do Legislativo, e Maduro.

O deputado Jorge Millán contou que, ao chegarem à sede do Legislativo, os deputados encontraram “um piquete da Polícia Nacional” pelo qual não conseguiram passar. Além disso, ele denunciou a presença de coletivos – nome pelo qual são conhecidos os grupos de civis simpatizantes do chavismo, frequentemente armados – cercando a sede da Assembleia para amedrontá-los.

No dia 7, a Assembleia Constituinte, de maioria chavista, criada para substituir a Assembleia Nacional, retirou a imunidade de dez parlamentares, depois que a Suprema Corte os acusou de apoiar a revolta de um pequeno grupo de militares contra Maduro.

A rebelião foi liderada por Guaidó e Leopoldo López, libertado da prisão domiciliar pelos insurgentes, que mais tarde se refugiou na residência do embaixador da Espanha. Em uma operação incomum, que incluiu o uso de um caminhão de reboque para guinchar seu carro, Edgar Zambrano, vice-presidente do Parlamento, foi preso e levado para o Forte Tiuna. Três outros deputados se refugiaram nas residências dos embaixadores da Itália e da Argentina e outro fugiu para a Colômbia.

Ainda nesta terça-feira, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) acusou mais quatro deputados opositores pela fracassada sublevação, totalizando 14 legisladores indiciados por “traição”. O STJ determinou que os fatos investigados “comprometem a responsabilidade” dos parlamentares Carlos Paparoni, Miguel Pizarro, Franco Casella e Winston Flores, segundo o tribunal. / EFE e AFP

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