Policiais chineses matam 8 em ato pró-Tibete, diz jornal

Manifestantes protestavam contra detenção de monges e apreensão de imagens do dalai-lama em monastério

Agências internacionais,

04 de abril de 2008 | 13h40

Pelo menos oito pessoas foram mortas nesta sexta-feira, 4, durante mais um confronto entre manifestantes tibetanos e policiais paramilitares chineses na província de Sichuan. Segundo o jornal britânico The Times, testemunhas afirmam que os oficiais abriram fogo contra um grupo de monges e pessoas que protestavam contra uma inspeção do governo de Pequim a um monastério, para confiscar imagens do dalai-lama, em que dois religiosos foram detidos. Oficiais vasculharam os quartos dos monges no templo de Donggu, confiscando telefones celulares e fotografias do líder religioso tibetano que vive exilado na Índia. Duas pessoas teriam sido presas na ação. Os demais religiosos do local então lideraram um protesto contra as detenções, ao qual se juntaram centenas de moradores da cidade. Testemunhas afirmam que cerca de mil policiais repreenderam o ato, abrindo fogo contra a multidão. Segundo um residente, oito pessoas morreram e dezenas foram feridas. A população diz ainda que outras dez pessoas estão desaparecidas, incluindo um monge. A agência estatal chinesa afirma que um policial foi gravemente ferido na ação.  As autoridades do Tibete informaram que o número de detidos nos distúrbios registrados em Lhasa em meados de março é de mais de mil pessoas, sobre as quais afirmam que foram "capturadas" ou se entregaram voluntariamente.  Segundo as declarações de Wang Xiangming, subsecretário do Partido Comunista da China em Lhasa, publicadas nesta sexta pelo jornal South China Morning Post, 800 pessoas foram detidas durante os dias de maior violência, 14 e 15 de março. Os outros 280 detidos se entregaram voluntariamente antes do prazo dado pelas autoridades chinesas que terminou em 17 de março, acrescentou o funcionário. Os distúrbios, os piores registrados no Tibete em 20 anos e nos quais, segundo as autoridades chinesas, 19 civis morreram, colocaram novamente Pequim na mira da questão de direitos humanos, diante da realização em breve dos Jogos Olímpicos de Pequim. No entanto, os grupos tibetanos no exílio afirmam que, na verdade, há mais de 140 mortos, entre eles pelo menos 13 pessoas que perderam a vida pelos disparos das forças de segurança chinesas contra os manifestantes, segundo a organização Tibete Livre.

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