Policiais corriam e diziam para buscar refúgio em escritórios

BASTIDORES: Ed OKeefe*

O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2013 | 02h01

Às 14h29, os deputados estavam concluindo uma série de votos sobre leis orçamentárias. Foi então que os rádios da polícia do Capitólio começaram a soar alto e os policiais, a correr por todo prédio.

No andar subterrâneo, um grupo de oficiais de polícia foi visto deixando o restaurante e subindo a escada correndo ao primeiro piso. Lá, alguns saíram em direção à rua, enquanto outros passaram a ajudar a bloquear e proteger a entrada. Em pouco tempo, mais um grupo de policiais veio correndo ao primeiro piso, enquanto seus rádios continuavam a transmitir informações. Oficiais começaram a bater nas portas, instruindo assessores da líder bancada democrata na Câmara, Nancy Pelosi, e de seu vice, Steny Hover, a se proteger no local e trancar as portas.

Quando os repórteres parados nos corredores perguntaram o que deviam fazer, um policial parou por um breve momento: "Proteja-se, corra para o seu escritório". Do lado de fora, mais agentes - estes em ternos - eram vistos correndo em direção a saídas, carregando bolsas. Um deputado, o democrata Jose Serrano, ficou parado, confuso, sem entender o que estava acontecia.

Do lado do Senado, a situação parecia estar sob controle. O chefe da Comissão de Relações Exteriores, senador Charles Schumer, do Partido Democrata, disse ter ouvido barulhos de tiro, mas admitiu não ter nenhuma outra informação. A democrata Amy Klobuchar afirmou ter sido informada sobre disparos perto de um dos prédios e disse que sua filha telefonara assustada. "É uma raridade receber uma ligação de uma filha no colegial no meio do dia", disse ela, com um sorriso no rosto.

O Senado manteve-se em sessão por pelo menos mais 15 minutos após as primeiras informações sobre os problemas do lado de fora. O senador John McCain, republicano, falava sobre a situação na Síria quando o primeiro aviso chegou, segundo transcrições. Ele chamou atenção de um colega, o senador democrata Benjamin Cardin, que, então, pediu uma pausa nas deliberações. Das janelas de um corredor no Senado, era possível ver dois franco-atiradores, perto do local onde são celebradas as posses de presidentes.

Policiais voltaram a permitir a entrada no prédio depois que a situação voltou ao normal, por volta das 15 horas.

*Ed OKeefe é repórter do The Washington Post e estava no Congresso na hora do incidente.

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