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AP/Michel Spingler
AP/Michel Spingler

Policiais da França são inocentados por mortes de jovens que geraram distúrbios

Na época, durante a perseguição policial, os jovens entraram em uma subestação de energia e foram eletrocutados e morreram em outubro de 2005

O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2015 | 16h21

RENNES, FRANÇA - Um tribunal da França inocentou nesta segunda-feira, 18, dois policiais acusados de contribuir para as mortes de dois jovens em um subúrbio pobre de Paris, há uma década. As mortes dos jovens foram o estopim, na época, para semanas de distúrbios pelo país. O veredicto gerou o temor de uma nova onda de protestos violentos, ódio e desconfiança, similar à vista recentemente nos EUA.

O tribunal na cidade de Rennes, no oeste do país, decidiu que os policiais Sebastien Gaillemin e Stephanie Klein não eram responsáveis pelas mortes dos dois jovens perseguidos pela polícia. Durante a perseguição, os jovens entraram em uma subestação de energia e foram eletrocutados e morreram em outubro de 2005. Um terceiro jovem sobreviveu ao choque de 20 mil volts com sérias queimaduras. Nenhum dos policiais tinha uma "clara ciência do perigo grave e iminente" previsto pela lei francesa, segundo o juiz Nicolas Leger.

As mortes de Bouna Traore e Zyed Benna lançaram uma controvérsia sobre o destino de projetos habitacionais isolados no subúrbio do país. Essas áreas são ocupadas pelos mais pobres, muitos deles com raízes africanas. Ao longo de três semanas de distúrbios, milhares de veículos foram incendiados, prédios públicos, queimados e milhares de pessoas acabaram presas. Foi decretado estado de emergência e um toque de recolher foi imposto na época, para lidar com a crise.

Os dois policiais poderiam pegar até 5 anos de prisão, caso tivessem sido condenados por deixar de auxiliar alguém em risco. Logo após o veredicto, uma jovem gritou no tribunal: "A polícia acima da lei, como sempre."

Na noite de 27 de outubro de 2005, Gaillemin, de 41 anos, estava perseguindo três adolescentes e viu o trio entrar na estação de energia, mas não os ajudou a evitar o risco de morte e nem chamou o serviço de emergência. Em vez disso, entrou em contato pela rádio policial: "Se eles entram no lugar, eu não pagaria muito pela pele deles", disse o policial na ocasião. Klein, de 38 anos, um policial inexperiente, estava coordenando as comunicações da rádio da polícia durante a tensa situação e ouviu o comentário.

Os promotores haviam decidido várias vezes não levar o caso à Justiça, mas foram ordenados a fazê-lo após uma decisão do principal tribunal da França. O promotor de Rennes, que estava entre aqueles que originalmente haviam recusado o caso, acabou pedindo a absolvição.

Em março, o juiz que preside o caso insistiu que a polícia nacional como um todo não estava sob julgamento. Mesmo assim, advogados dos dois lados enfatizaram o significado mais amplo do veredicto.

As famílias das vítimas disseram que as vidas de Bouna, de 15 anos, e Zyed, de 17, poderiam ter sido salvas pelos policiais, que disseram no tribunal que sabiam que os jovens corriam perigo, mas insistiram que eram inocentes.

Vários grupos nos subúrbios franceses convocaram atos para esta segunda-feira, 18, após o veredicto. Um advogado das famílias, Jean-Pierre Mignard, disse que o veredicto era uma prova do "apartheid legal" na França. / ASSOCIATED PRESS 

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