Photo by STR / AFP
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Policiais de Mianmar fogem da junta militar em direção à Índia

Revoltados, dezenas de agentes partem com as famílias para não participarem da violenta repressão aos protestos

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 22h09

ZOKHAWTHAR, ÍNDIA - Dezenas de policiais de Mianmar e suas famílias fugiram para a Índia, informaram ontem fontes das forças de segurança indianas. Uma delas disse à agência France Presse que as autoridades birmanesas estão “agredindo e torturando” manifestantes. 

As autoridades militares de Mianmar estão reprimindo cada vez mais violentamente os protestos diários contra o golpe de Estado de 1.º de fevereiro. Pelo menos 70 manifestantes morreram, 9 deles na quinta-feira. Desde o golpe, um fluxo crescente de pessoas, incluindo muitos policiais que se negam a participar da repressão, tem atravessado a fronteira em direção ao Estado indiano de Mizoram. 

Até esta sexta-feira, 12, 264 pessoas entraram no país vizinho, incluindo 198 policiais e seus parentes, indicaram fontes das forças de segurança. “A razão para sair de Mianmar e ir para a Índia é que não quero servir à junta militar”, disse à France Presse um dos agentes, que pediu anonimato. “A segunda razão é que, se renuncio à junta militar e me uno ao povo, acredito que podemos vencer a lutar contra a ditadura.”

Diante da situação cada vez mais violenta, o Reino Unido aconselhou hoje seus cidadãos a partirem e só em caso de “necessidade urgente” permanecerem em Mianmar, onde a repressão é cada vez mais severa, especialmente contra a imprensa. A Rússia expressou preocupação com o “número crescente” de vítimas civis. O porta-voz da presidência russa, Dimitri Peskov, chamou a situação de “alarmante”.

Desde o golpe, a junta militar que assumiu o poder enfrenta um movimento de protestos sem precedentes, que tenta conter de maneira cada vez mais violenta, recorrendo até mesmo a munição letal. “Crescem as evidências de que a junta militar pode estar cometendo crimes contra a humanidade, incluindo assassinatos, desaparecimentos forçados, perseguição, tortura e prisões e outras violações da lei internacional”, declarou, na quinta-feira, Thomas Andrews, especialista enviado a Mianmar pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Repressão

A junta militar também aumentou a repressão contra a imprensa e cinco jornalistas foram indiciados, na quinta-feira, incluindo um fotógrafo da agência Associated Press. Eles foram detidos no mês passado quando cobriam um protesto em Yangun. 

Acusados de “provocar temor, propagar notícias falsas ou questionar direta ou indiretamente um funcionário do governo”, eles podem ser condenados a penas de 2 a 3 anos de prisão, segundo a nova lei aprovada pela junta. 

Esta semana, os militares ordenaram operações contra vários meios de comunicação e revogaram as licenças de alguns. Entre os detidos está um jornalista polonês, de acordo com informações do Ministério das Relações Exteriores da Polônia. Os diplomatas tentam estabelecer contato com o repórter, mas ainda não tiveram sucesso. / AFP e AP

 

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