AP Photo/Francois Mori
AP Photo/Francois Mori

Policiais de Paris fazem ato contra militantes

Agentes de segurança reclamam de ‘ódio’ contra polícia e pedem apoio do governo

Andrei Netto , CORRESPONDENTE / PARIS

18 Maio 2016 | 20h29

De maneira inédita na França, policiais protestaram nesta quarta-feira, 18, contra a violência de manifestantes e a “estigmatização” causada pelas denúncias de uso excessivo da força em protestos deste ano. Reclamando do “ódio contra a polícia”, eles ocuparam a Praça da República, em Paris, para denunciar agressões de black blocs e a omissão do governo. Às margens do ato, vândalos cercaram dois policiais e incendiaram uma viatura. 

A polícia reclama que 350 policiais foram feridos neste ano em confrontos com black blocs e o governo não lhes dá ordens claras de reprimir os protestos violentos, o que, segundo eles, causa mais agressões. A manifestação de policiais fora de serviço e trajados em roupas civis foi convocada em 60 cidades do país e tinha como objetivo “conscientizar” a opinião pública e, ao mesmo tempo, pressionar o governo para que autorize mais repressão e prisões.

Sindicatos afirmam que os grupos de vândalos têm empregado técnicas de guerrilha, usando coquetéis molotov, bombas agrícolas, sinalizadores, pedras e garrafas para agredir policiais, ao mesmo tempo em que escondem o rosto e vestem máscaras para se proteger dos efeitos do gás lacrimogêneo. Sem o aval do Ministério do Interior para intervir com mais força, os policiais dizem se sentir como presas. 

“Há uma decepção de muitos colegas com a impressão de ser acusados no momento em que somos vítimas da violência”, justificou o secretário-geral da União Nacional dos Sindicatos Autônomos (UNSA-Police). “É preciso que as pessoas se deem conta da violência dos black blocs que enfrentamos.”

Ontem, o protesto ocorreu na Praça da República - no mesmo local em que o movimento de esquerda radical Nuit Debout vem realizando reuniões diárias contra a Lei El Khomri, que prevê a flexibilização do mercado de trabalho. Um palco foi montado para pronunciamentos de sindicalistas. Ao final, os agentes cantaram o hino nacional.

Durante a manifestação, um outro protesto em Paris, organizado por um grupo denominado “Urgência, nossa polícia assassina” denunciou o uso excessivo da força. A manifestação havia sido proibida, mas mesmo assim dezenas de pessoas foram às ruas. 

No início da tarde, uma viatura que fazia a segurança da região foi atacada às margens do Canal Saint-Martin, ponto turístico da capital. Dois policiais foram cercados por black blocs, que atacaram o veículo com barras de ferro. Um sinalizador foi jogado no interior do automóvel, provocando o incêndio. 

O Ministério Público de Paris abriu uma investigação por tentativa de homicídio doloso e quatro pessoas foram presas, dois jovens de 19 e outros dois de 21. Segundo o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, são membros de um movimento de extrema esquerda que prega a violência contra instituições públicas.

Os acontecimentos obrigaram o governo a sair em defesa da polícia. Cazeneuve anunciou que “perseguirá” os black blocs e informou que 53 manifestantes estão em prisão domiciliar. “Este sentimento se chama ódio e nenhuma causa, nenhum objetivo político pode justificá-lo”, disse. Em resposta ao governo, a líder de extrema direita, Marine Le Pen, pediu a demissão de Cazeneuve, acusado de “incapacidade de proteger os franceses e as forças de ordem”

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