Jorge Abrego/EFE
Jorge Abrego/EFE

Policiais que se amotinaram contra Evo Morales são condecorados na Bolívia

Unidades de Cochabamba, Sucre e Santa Cruz se rebelaram um dia antes da renúncia do ex-presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2020 | 22h28

LA PAZ - O governo transitório da Bolívia condecorou nesta segunda-feira, 17, efetivos de uma unidade policial de Cochabamba que fizeram motim um dia antes de Evo Morales deixar o governo, quando o ex-presidente seguiu para asilo no México depois de perder o apoio dos militares. 

Morales se viu obrigado a renunciar no último 10 de novembro, após os militares retirarem o apoio a ele por causa do motim, além de uma série de protestos que duraram três semanas, nos quais a população foi às ruas para denunciar a fraude nas últimas eleições.

As eleições foram anuladas por Morales no dia em que renunciou. Recentemente foi convocado um novo processo eleitoral, que será realizado no próximo 3 de maio. 

"Vocês foram a primeira barreira de proteção contra os narcoterroristas que quiseram depredar Cochabamba", disse o ministro do Interior, Arturo Murillo, durante o ato em reconhecimento aos policiais. 

O primeiro agrupamento a se rebelar foi a Unidade Tática de Operações Policiais (UTOP) de Cochabamba. Pouco depois seguiram em motim os comandos da Polícia de Sucre e Santa Cruz, rica região situada no oriente do país, sendo essa uma zona opositora.  

Diante do motim, Morales denunciou um golpe "em curso" contra ele.  

A presidente interina Jeanine Áñez, de direita, ao designar seis novos generais no início deste mês, considerou que "a polícia nacional deve estar subordinada à Constituição, às leis bolivianas, a Deus, mas nunca a um partido político".

Áñez, que decidiu candidatar-se à presidência durante as eleições marcadas para maio, ocupa o terceiro lugar nas pesquisas, com 16,5%, atrás do ex-presidente Carlos Mesa (17,1%) e de Luis Arce (31,6%), candidato do partido de Morales. /AFP

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