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Policiais são condenados por não defenderem mulher linchada no Afeganistão

Acusada falsamente de queimar o Alcorão, vítima foi morta após ser atacada por dezenas de homens; outras 4 pessoas foram condenadas à morte pelo mesmo caso no começo do mês

O Estado de S. Paulo

19 de maio de 2015 | 11h07

CABUL - Um tribunal do Afeganistão condenou nesta terça-feira, 19, 11 policiais a um ano de prisão por negligência no caso do linchamento de uma mulher que supostamente tinha queimado um exemplar do Alcorão em março, na capital Cabul. Outros oito agentes foram absolvidos.

Em uma sessão aberta que foi retransmitida por emissoras locais de televisão, o juiz Safiullah Mujadidi sentenciou os 11 agentes à prisão por não terem protegido a vítima e absolveu os outros oito acusados por falta de provas. Os condenados poderão recorrer da decisão do juiz em uma instância superior.

A vítima foi linchada e teve seu corpo queimado e jogado no rio Cabul por uma multidão no dia 19 de março, depois de ser acusada de atear fogo em um exemplar do Alcorão perto do santuário de Shah-Do-Shamshira, no centro da capital afegã. Investigações posteriores concluíram que a jovem tinha sido vítima do "obscurantismo" dos fabricantes de talismãs (uma figura mística no país) do santuário, que incitaram as pessoas a lincharem a mulher porque ela os tinha denunciado.

No início de maio, quatro pessoas foram condenadas à morte pelo linchamento, entre elas um dos guardas do santuário, enquanto outras oito receberam penas de 16 anos de prisão e 18 foram absolvidas das acusações.

O linchamento provocou uma onda de protestos, sobretudo de grupos de mulheres, que foram as responsáveis por carregar o caixão da jovem no funeral, algo pouco comum em um país islâmico como o Afeganistão.

Diante da pressão social, o presidente afegão, Ashraf Ghani, constituiu uma comissão de investigação integrada por líderes religiosos, parlamentares e ativistas pelos direitos da mulher para averiguar os detalhes do incidente que foi condenado pelas Nações Unidas e organizações civis.

Depois que a comissão concluiu que os fabricantes de talismãs incitaram o linchamento, o Executivo proibiu as atividades desses grupos "obscurantistas" em todo o país. / EFE

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