Dayton Police Department via The New York Times
Dayton Police Department via The New York Times

Policiais arrastam negro paraplégico suspeito de narcotráfico nos EUA; caso é investigado

Imagens mostram homem sendo abordado após denúncia referente a um ponto de drogas e dizendo que não poderia sair do veículo em razão da paralisia; em seguida, ele é arrastado pelos cabelos

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2021 | 17h55

OHIO - Mais um caso de violência policial contra negros levou a críticas contra a corporação nos Estados Unidos. Um homem negro foi puxado pelos cabelos de dentro de um carro por policiais enquanto gritava "sou paraplégico" em Ohio.

Clifford Owensby apresentou uma queixa e a polícia em Dayton, Ohio, disse que estava investigando o que havia acontecido durante a parada.

No dia 30 de setembro, um policial do Departamento de Polícia de Dayton agarrou o cabelo de Owensby, de 39 anos, e o arrastou para fora do carro depois de repetidamente dizer-lhe para sair, de acordo com imagens da câmera corporal divulgadas pelo departamento na sexta-feira 8. Owensby disse aos policiais que não podia sair do carro porque era paraplégico, de acordo com a filmagem.

O advogado de Owensby, James Willis, disse que vai entrar com um processo. A identidade dos policiais não foi divulgada.

A filmagem começa com um policial não identificado descrevendo o que o levou à parada de Owensby. Os policiais foram alertados sobre “um suposto ponto de drogas” na área e um Audi branco teria sido visto saindo do local. No veículo, disse a polícia, estava o Sr. Owensby.

Segundo os policiais, após conseguirem a identificação de Owensby, as informações foram analisadas e eles descobriram que o homem tinha um "histórico de drogas e armas criminosas".

Os policiais solicitaram um cão policial que pudesse detectar entorpecentes. De acordo o departamento, é política da corporação exigir que as pessoas saiam de um veículo durante a inspeção de drogas.

O Sr. Owensby disse aos policiais que não poderia sair porque é paraplégico. Seu filho de 3 anos estava no banco de trás do carro durante a parada, segundo o advogado Willis. 

Depois as filmagens mostram um policial se aproximando do carro e dizendo: "Vou ajudá-lo a sair". Owensby responde: "Não acho que isso vá acontecer, senhor". Ele continua dizendo que não pode sair do carro por ser paraplégico, e o policial repete que vai ajudar, de acordo com a filmagem.

“Haverá um processo se você colocar as mãos em mim sem motivo”, diz Owensby. O policial responde: "Bem, o motivo é que estou pedindo que você saia do carro."

Owensby liga para alguém e pede ao policial um supervisor de polícia. O oficial então diz: “Você pode cooperar e sair do carro, ou vou arrastá-lo para fora do carro”.

O policial passa a agarrar o pulso de Owensby, que continua dizendo que o policial o está machucando, mostram as imagens. Um segundo policial então agarra Owensby pelo pulso enquanto ele permanece no carro, repetindo ser paraplégico.

Reação

Segundo o departamento, quando os policiais começaram a remover Owensby ele "agarrou o volante, na tentativa de impedir que os policiais o retirassem do veículo". “Você está me machucando”, diz Owensby na filmagem, usando um palavrão.

Um policial é visto puxando Owensby pelos cabelos e arrastando-o para fora do carro. Cerca de 20 segundos depois, um policial agarra novamente Owensby pelos cabelos, o vira de bruços e o algema. Os policiais arrastam Owensby para a viatura.

Durante a investigação, a polícia disse ter encontrado um saco de dinheiro contendo US$ 22.450 no carro de Owensby. O cão policial farejou o dinheiro "próximo a drogas ilegais", disse a polícia.

Owensby foi levado a um hospital, onde foi examinado e posteriormente liberado, disse a polícia.

Acusações 

O Sr. Willis disse que Owensby foi acusado de duas contravenções: vidros escuros demais e não deixar seu filho na cadeirinha do carro. Owensby não foi acusado de nenhum crime relacionado a drogas, de acordo com Willis.

O advogado acrescentou que não queria discutir a paralisia de Owensby e não era crime ter milhares de dólares em dinheiro no carro. / NYT

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