Policiais são presos após seqüestro em massa no Iraque

O Ministério do Interior iraquiano informou ter prendido cinco oficiais do alto escalão da polícia de Bagdá na noite desta terça-feira. Eles estariam ligados ao seqüestro de ao menos 50 pessoas em um escritório do Ministério de Educação Superior iraquiano. O incidente ocorreu nesta terça-feira, e inicialmente autoridades haviam reportado que entre 100 e 150 pessoas teriam sido seqüestradas - o que configuraria o maior seqüestro em massa da história do Iraque.Segundo o porta-voz do Ministério do Interior, general Jalil Khalaf, entre os presos está o chefe da delegacia de Karradah, o distrito central de Bagdá em que o prédio do Ministério da Educação está localizado.Entre os presos também está o comandante do batalhão policial responsável pela área e outros três oficiais, informou Khalaf. O seqüestro foi realizado por homens vestidos com uniformes geralmente usados pelos soldados ligados ao Ministério do Interior - cujo ministro é de origem xiita. A ação ocorreu nesta terça-feira quando homens armados vestidos como policiais seqüestraram vários funcionários e visitantes em um prédio do Ministério da Educação Superior do Iraque, em Bagdá.O ministro da Educação Superior Abed Theyab afirmou inicialmente que aproximadamente 150 pessoas haviam sido seqüestradas, mas seu porta-voz Basil al-Khatib disse depois que eram 130.Mais tarde, ainda na terça-feira, o gabinete do premier iraquiano afirmou que apenas 45 a 50 pessoas haviam sido levadas, e que 20 já haviam sido libertadas. "Ninguém pode dar um número exato pois cerca de 70 funcionários trabalham no local", disse Khatib, porta-voz do Ministério da Educação Superior. "Não sabemos quantos funcionários foram seqüestrados além dos outros que estavam no prédio. Um homem libertado depois me disse que entre 120 a 130 pessoas haviam sido seqüestradas", afirmou Khatib. Logo após o incidente, Theyab - que é de origem sunita - ordenou o fechamento de todas as universidades até que a segurança fosse melhorada, mas Khatib disse depois que o fechamento foi cancelado pois a polícia e o Exército prometerem aumentar a segurança no Ministério da Educação Superior e nos prédios universitários.Em outros episódios de violência, ao menos 82 pessoas morreram no Iraque nesta quarta-feira. Entre as vítimas estão pessoas encontradas assassinadas ou mortos em confrontos e explosões de bombas por todo o país.Em seu único comentário público sobre o incidente, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, disse que seqüestro foi resultado de rivalidades entre grupos armados apoiados por diferentes facções políticas. "O que está acontecendo não é terrorismo, mas o resultado da discórdia e conflitos entre militantes deste ou daquele grupo", disse Maliki após um encontro com o presidente Jalal Talabani.Segundo o chefe do comitê de educação do parlamento, Alaa Makki, os seqüestradores tinham uma lista dos nomes daqueles que deveriam ser levados, e afirmaram estar em uma missão do corpo anticorrupção do governo.Ação organizadaA polícia e testemunhas afirmam que os cerca de 80 seqüestradores fecharam as ruas ao redor do Ministério de Educação Superior e Pesquisa Científica, no distrito central de Kadarrah. O instituto é responsável por fornecer bolsas de estudo a professores e estudantes que querem estudar no exterior. O porta-voz da polícia Mahir Hamad disse que toda a operação demorou cerca de 20 minutos, Quatro guardas do instituto não ofereceram resistência e estavam desarmados, afirmou.Testemunhas, incluindo uma professora que visitava o local na hora do seqüestro, afirmaram que homens armados forçaram homens e mulheres a entrar em salas separadas, algemaram os homens, e os colocaram em caminhonetes. A professora disse que os seqüestradores, alguns com máscara, vestiam uniformes azuis do tipo usado por comandos de polícia.Aparentemente, o prédio era um alvo fácil para os seqüestradores, cujas motivações permanecem desconhecidas, mas que podem estar relacionada à violência sectária que atinge o Iraque.Milícias xiitas e outros grupos ilegais são conhecidos por usar uniformes da polícia e do exército, falsos ou roubados.O seqüestro foi o mais audacioso de uma série de assassinatos e outros ataques tendo como alvo acadêmicos iraquianos, o que está causando a fuga de milhares de professores e pesquisadores para países vizinhos para escapar da violência sectária.Nas últimas semanas um proeminente geólogo foi assassinado, elevando o número de mortos entre educadores para 155 desde o início da guerra. Os acadêmicos aparentemente foram escolhidos por seu relativo status público, vulnerabilidade, e posições conhecidas em questões controversas, em um clima de acirramento do fundamentalismo islâmico.Texto ampliado às 20h20

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