Policiais são presos pelo estupro e morte de 2 adolescentes na Índia

Dois homens são acusados de terem estuprado e enforcado as meninas e dois de negarem ajuda aos parentes das vítimas

O Estado de S. Paulo

31 Maio 2014 | 09h49

NOVA DÉLHI - A polícia indiana confirmou neste sábado, 31, a prisão de dois homens por suposto envolvimento no estupro e enforcamento de duas adolescentes da casta considerada de intocáveis, os dalits, no norte do país. Até agora, cinco homens detidos e outros dois continuam foragidos.

O superintendente da polícia local, Atul Kumar Saxena, disse à agência indiana PTI que prenderam o agente Chhatrapal na noite de sexta e Urvesh nesta manhã. Todos os detidos são da casta Yadav, que está acima dos dalits, grupo social que ocupa o último lugar no sistema de castas.

As duas adolescentes, de 14 e 15 anos, eram primas e foram encontradas enforcadas na quarta-feira 28 na cidade de Katra, no Estado de Uttar Pradesh.

Os policiais Sarvesh e Chhatrapal foram suspensos e detidos por "conspiração criminosa" ao negar ajuda aos parentes das vítimas, que na noite de terça-feira tinham descoberto que as adolescentes estavam presas em uma casa da cidade. "Chhatrapal nos disse que não registraria queixa nenhuma e que fôssemos embora. Disseram que nos matariam se insistíssemos em registrar uma ocorrência", contou ao jornal local Indian Express um dos irmãos das adolescentes.

As jovens tinham sido raptadas pelo policial Awadhesh e dois de seus irmãos, Pappu e Urvesh, que foram presos e acusados de assassinato e estupro.

"O papel da polícia em todo o caso é suspeito. Se os policiais tivessem atuado a tempo as meninas estariam vivas. Estavam conluiados com os acusados", acusou o pai de uma das vítimas ao PTI. "Somos tão pobres que não esperamos que se faça justiça. A polícia nos pressionou para que mudemos nossas declarações sobre o crime", disse ao canal local NDTV um vizinho de uma das vítimas.

As famílias das adolescentes pediu uma investigação independente, por não confiarem no chefe do governo regional, Akhilesh Yadav, que pertence à mesma casta dos acusados.

Akhilesh ordenou na sexta-feira que se faça um "julgamento rápido" contra todos os detidos e que os parentes das vítimas sejam protegidos e indenizados com 500 mil rúpias (quase US$ 15 mil). Segundo o "Indian Express", os altos comandantes da polícia de Uttar Pradesh admitiram a "grave negligência" no caso. / EFE

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