Policiais viajam em vôos internos argentinos

As companhias aéreas argentinas estão colocando policiais à paisana dentro dos vôos internos por causa do temor de um ataque terrorista dentro do território argentino. Os policiais são da Polícia Aeronáutica Nacional e seus custos estão a cargo das empresas aéreas.A idéia é colocar a segurança da aviação civil "em um nível extremo", afirmou o diretor do Organismo Regulador do Sistema Nacional de Aeroportos, Eduardo Sguiglia.Os aeroportos argentinos estão passando pelo mais rigoroso sistema de vigilância de sua história, sequer visto mesmo na época da última ditadura militar (1976-83). Cada passageiro que entra em um avião passa pelo detetor de metais e depois é apalpado para verificar se porta alguma arma. As tripulações dos aviões também são exaustivamente revistadas.Nos últimos dias, todo tipo de elemento de metal cortante, como navalhas, saca-rolhas, alicates e até as aparentemente inofensivas lixas de unha devem ser despachadas junto com a bagagem principal. Caso contrário, são confiscadas.A idéia é que nos próximos dias a bagagem de mão seja revisada duas vezes. "Estes controles levam tempo, e os passageiros terão que ter paciência e chegar mais cedo aos aeroportos", explicou Sguiglia.Apesar dos controles, a proporção de argentinos que planejavam viajar aos EUA teve uma queda drástica desde os atentados. Em média, a queda foi de 30%. A Associação Argentina de Agências de Viagem também registrou uma queda significativa nas viagens de americanos, europeus e japoneses para a Argentina.Na Tríplice Fronteira a segurança também foi reforçada, já que o governo considera que nessa região existem células terroristas fundamentalistas muçulmanas. Em maio, a Polícia Federal do Paraguai deteve na região Mohamad Abou Ajoe, que possuía 17 passaportes libaneses falsos. Especula-se que na área poderia funcionar um centro de documentação falsa.As precauções argentinas possuem fortes motivos: em 1992, uma bomba demoliu a embaixada de Israel, matando mais de 20 pessoas e ferindo duzentas. Em 1994, um carro-bomba destruiu a associação beneficente judaica AMIA. Na explosão, morreram 85 pessoas e foram mutiladas e feridas outras trezentas. Nos dois casos, os culpados não foram encontrados.Ambas explosões ocorreram no centro de Buenos Aires. Analistas e o governo sempre afirmaram que a possibilidade de um terceiro atentado não está descartada. Para o terrorismo internacional, a capital argentina oferece circunstâncias especiais: uma ampla comunidade judaica (na Argentina está concentrada a maior comunidade judaica da América Latina) como alvo de ataques e sistemas de segurança locais ainda primitivos.O temor de um novo atentado na capital argentina fez com que as comemorações do Ano Novo judaico fossem tensas. Ao contrário de anos anteriores, as cem sinagogas portenhas tiveram uma proporção de fiéis significativamente inferior aos anos anteriores.Na sinagoga mais importante da cidade, a da praça Lavalle, o serviço religioso realizado pelo rabino Simón Moguilevsky (que nos anos 90 foi rabino da sinagoga de Curitiba-PR) contou com a presença de umas poucas centenas de pessoas (o templo possui capacidade para mil pessoas). A polícia federal reforçou a segurança desta e das outras sinagogas.Dentro do governo, a guerra contra o terrorismo causou sua primeira vítima. Ele é o secretário de Desenvolvimento Sustentável e Política Ambiental, Rafael Flores, que - em alusão à uma eventual participação da Argentina ao lado dos EUA em um conflito - declarou que "não faria nada bem a nosso país formar parte de um exército de cowboys". Flores foi demitido automaticamente pelo presidente Fernando de la Rúa.

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