AFP PHOTO / Michele Eve SANDBERG
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Trump diz que policial armado em escola da Flórida foi covarde por não tentar impedir ataque

Agente estava no pátio e não entrou no colégio ao ouvir os disparos de Nikolas Cruz; presidente afirmou também que ele pode ter ficado paralisado, sem ação

O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2018 | 00h10
Atualizado 23 Fevereiro 2018 | 14h46

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 23, que o policial armado que não agiu durante o ataque a uma escola da Flórida no dia 14 ficou paralisado ou foi "covarde". Ele é treinado, ele não reagiu apropriadamente sob pressão ou é covarde", disse Trump, citando diretamente o oficial Scot Peterson.

"Quando chegou o momento de fazer alguma coisa, ele não teve coragem ou algo aconteceu", disse o republicano. "Mas com certeza fez um trabalho ruim. Não há dúvida quanto a isso", acrescentou. 

O xerife do condado de Broward declarou na quinta-feira que Peterson estava presente durante o ataque na escola Marjory Stoneman Douglas, onde 14 estudantes e três professores morreram, mas não fez nada para impedir. Peterson apresentou sua renúncia após ser suspenso sem salário. "Petersen esteve no campus durante todo o ocorrido", declarou o xerife Scott Israel.

Na quarta-feira 14 de fevereiro, Nikolas Cruz, de 19 anos, entrou na escola Marjory Stoneman Douglas da cidade de Parkland - ao norte de Miami - e matou 17 pessoas. 

Durante o ataque, Peterson permaneceu fora do edifício. "Estava armado, estava uniformizado", assinalou o xerife do condado de Broward, ao qual Parkland pertence.

De acordo com o vídeo de segurança, que não será divulgado, Peterson permaneceu em posição, no canto do edifício, mas "nunca entrou".

Israel disse que Petersen deveria ter "entrado, enfrentado o atirador, matado o assassino". Também informou que suspendeu o oficial, sem direito a salário, e que este, ao contrário, decidiu se demitir. O xerife confessou que ver o vídeo o deixou "devastado, mal do estômago, sem palavras".

Esta revelação é feita quando a sociedade americana debate a possibilidade de dotar professores e funcionários das escolas de armas e, eventualmente, que sejam capazes de se defender e proteger as crianças de um tiroteio em massa.

Trump declarou nesta quinta-feira que as escolas "sem armas" são um ímã para os assassinos maciços. Na quarta-feira, havia dito que estudaria a ideia de armar alguns professores.

Mas a insistência de Trump em armar os docentes gerou rejeição no setor. "Trazer mais armas para nossas escolas não faz nada para proteger nossos alunos e educadores da violência", disse Lily Eskelsen García, presidente da Associação Nacional de Educação (NEA), a maior união de profissionais dos Estados Unidos com quase três milhões de membros. / AFP

 

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