Leila Navidi/Star Tribune via AP
Leila Navidi/Star Tribune via AP

Policial branco mata homem negro durante abordagem de trânsito no Estado de Minnesota

Philando Castile, de 32 anos, foi alvejado dentro de seu carro na noite de quarta-feira; caso ocorreu horas depois de o Departamento de Justiça anunciar que investigará caso semelhante na Louisiana

O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2016 | 11h27

WASHINGTON - Um homem negro de 32 anos foi morto na noite de quarta-feira, 6, pela polícia do Estado de Minnesota depois de ser parado em uma abordagem de trânsito no subúrbio de  St. Paul. O episódio foi registrado em vídeo e transmitido ao vivo no Facebook pela namorada da vítima, que também estava no veículo.

Foi o segundo caso de um negro morto por policiais nesta semana que foi registrado em vídeo. O episódio em Minnesota fez com que dezenas de pessoas se concentrassem nesta quinta-feira, 7, nas ruas de Falcon Heights para protestar em razão morte de Philando Castile.

O vídeo que a namorada de Castile, Diamond Reynolds, transmitiu ao vivo em sua conta no Facebook, mostra ela sentada no banco do passageiro de um veículo com o namorado, ainda vivo, no assento do motorista. Nas imagens, a camiseta branca dele está bastante manchada de sangue.

Diamond explica que Castile estava pegando a carteira para mostrar sua identidade e o documento do carro ao agente e avisou que estava com uma arma de fogo porque tinha licença para portá-la. Depois, o policial teria ordenado que ele levasse as mãos à cabeça. Então, segundo a versão da namorada de Castile, o agente fez "quatro ou cinco" disparos.

As imagens mostram as mãos de um agente, visivelmente nervoso, apontando uma arma para Castile, que permanece no interior do veículo em silêncio, com o cinto de segurança e com o tronco do corpo para trás, enquanto agoniza.

Parentes da vítima exigiram justiça em entrevista na manhã desta quinta-feira à emissora CNN. Um tio de Castile afirmou que os policiais, que deveriam proteger os americanos, se tornaram os "executores, juízes e assassinos".

Depois de assistir as imagens da transmissão pela web, ele afirmou que era possível ver "um jovem rapaz baleado, aparentemente sem motivos, e sem ajuda". "Foi a coisa mais horrível que já vi em toda minha vida."

Veja abaixo o vídeo gravado pela namorada de Castile (ATENÇÃO, IMAGENS FORTES!)

A mãe da vítima, Valerie Castile, afirmou que ensinou seu filho a ser extremamente cautelosos quando se deparasse agentes da lei. "Se você for parado pela polícia, obedeça", disse Valerie. "Obedeça, obedeça, obedeça."

"Meu filho era um cidadão que cumpria as leis e não fez nada errado. Ele não é um bandido", disse Valerie. "Eu acho que ele era apenas negro no lugar errado."

O Departamento de Justiça dos EUA afirmou nesta quinta-feira que já tomou ciência da morte de Philando Castile e está "avaliar a situação". Ainda não está claro se o Departamento abrirá uma investigação formal para avaliar se o policial usou ou não de força excessiva.

Recorrência. A morte de Castile aconteceu no mesmo dia em que o governo dos EUA anunciou que vai investigar a morte de Alton Sterling, um homem negro de 37 anos, que faleceu na terça-feira em Baton Rouge, no Estado da Louisiana, após uma briga com dois policiais brancos, incidente que também foi filmado e provocou vários protestos.

A divisão de direitos civis do Departamento de Justiça, encarregada de investigar crimes raciais, e o FBI vão conduzir o inquérito, anunciou em entrevista coletiva o governador da Louisiana, o democrata John Bel Edwards.

"Eu tenho preocupações muito sérias, o vídeo é preocupante para dizer o mínimo", ressaltou o governador, falando sobre as imagens gravadas com um telefone celular, onde um dos agentes aparece tirar algo que parece ser uma pistola e coloca no pescoço de Sterling, que permanece imobilizado no solo.

Nesse momento do vídeo, a câmera se afasta da cena, são ouvidos alguns tiros e uma voz que grita: "Tem uma arma, uma arma!".

O vídeo, também divulgado nas redes sociais, provocou na noite de quarta-feira vários protestos na capital da Louisiana, onde algumas pessoas bloquearam o trânsito e outras carregavam cartazes e cantaram palavras de ordem como "Sem justiça, não há paz" ou "As vidas dos negros importam". / NYT e EFE

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