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Policial da Flórida atira em homem negro desarmado e rendido

Charles Kinsey, um terapeuta de 47 anos, tentava convencer seu paciente autista a voltar para a clínica quando foi alvejado; vídeo mostra que ele obedeceu ordens da polícia antes de ser baleado

O Estado de S. Paulo

21 Julho 2016 | 12h08

MIAMI - Um policial da Flórida atirou contra um homem negro desarmado mesmo depois dele deitar no chão e se render, confirmaram nesta quinta-feira, 21, as autoridades estaduais. O caso, ocorrido na segunda-feira e filmado por uma testemunha com um telefone celular, é o mais recente na onda de pessoas negras baleadas por policiais nos EUA (veja o vídeo abaixo).

Em entrevista ao jornal The Miami Herald, o chefe da polícia da cidade de North Miami, Neal Cuevas, afirmou que os agentes que atuaram no caso respondiam a um chamado de um homem que estaria supostamente tentando se matar. Ao chegarem no local, no entanto, os policiais encontraram Charles Kinsey, de 47 anos, um terapeuta que trabalha com pessoas com deficiência, tentando acalmar seu paciente para que ele voltasse até a clínica de onde tinha fugido.

Segundo a versão de Cuevas, os policiais ordenaram que o terapeuta e seu paciente, que estava sentado na rua brincando com um carrinho, que se deitassem no chão. As imagens registradas com um celular mostram Kinsey obedecendo a ordem e tentando fazer com que seu paciente também seguisse as instruções dos policiais. Na sequência, um dos policiais atira três vezes contra o terapeuta, atingindo-o na perna. 

O chefe da polícia não explicou a razão dos disparos e disse apenas que nenhuma arma foi encontrada no local. O nome dos agentes envolvidos na ação também não foram divulgados, mas Cuevas afirmou que eles foram transferidos para o setor administrativo enquanto aguardam a conclusão das investigações. Depois da divulgação das imagens, as investigações foram transferidas para o escritório da Procuradoria do Estado, no condado de Miami-Dade.

O advogado do terapeuta, Hilton Napoleon, afirmou que a ação dos policiais "não fez nenhum sentido". "Ele levantou as mão e disse 'não atirem em mim'. Além disso, meu cliente obedeceu a ordem para que deitasse no  chão", afirmou Napoleon. "As imagens mostram que ele está deitado, com as mãos para o ar, enquanto tenta n o outra rapaz a se deitar."

Em entrevista à uma emissora de TV local, Kinsey afirmou que ficou mais preocupado com seu paciente do que com ele próprio durante o incidente. "Desde que eu mantivesse minhas mãos para cima, eles não atirariam. Pelo menos era o que eu achava", disse Kinsey. "Mas eu estava errado."

Esse caso é o último de uma recente onda de violência envolvendo policiais. No domingo, três agentes foram mortos em Baton Rouge, Louisiana, depois de serem baleados por um ex-soldado negro. Duas semanas antes, na mesma cidade, dois policiais brancos mataram um homem negro, Alton Sterling, de 37 anos, durante uma confusão em uma loja de conveniência.

Além disso, um dia depois da morte de Sterling, outro homem negro, Philando Castile, de 32 anos, também foi morto por policiais brancos durante uma abordagem de trânsito em Minnesota. Estes casos, também registrados em vídeo, estimularam uma série de manifestações nos EUA contra a forma como os negros são tratados pela polícia.

No dia 6, um dia depois da morte de Castile, um franco-atirador negro matou 5 policiais que faziam a segurança de uma manifestação em Dallas, no Texas. / AP

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