Policial mata jovem negro e reacende protestos em Missouri

Episódio em Saint Louis ocorre menos de dois meses depois de caso parecido em Ferguson e causa manifestações

SAINT LOUIS, EUA , O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2014 | 02h03

Protestos de rua levaram tensão ontem para a cidade de Saint Louis, em Missouri, um dia após um policial branco atirar e matar um jovem negro. Há dois meses, um episódio parecido na vizinha Ferguson desencadeou semanas de violentas manifestações na região.

Segundo a polícia local, o agente estava de folga, mas atuava como segurança de uma companhia privada no histórico distrito de Shaw quando passou a perseguir o jovem negro de 18 anos e outros dois rapazes.

Na versão do chefe de polícia de Saint Louis, Sam Dotson, o rapaz atirou contra o policial três vezes antes da sua arma travar. O oficial respondeu com 17 tiros, mas Dotson não soube dizer quantos deles atingiram ou mataram o suspeito. De acordo com o chefe de polícia, uma pistola automática Ruger 9 milímetros foi recolhida no local. As autoridades não revelaram a identidade do policial.

O jovem foi identificado pela mãe, Syrette Meyers, à agência Associated Press como Vonderrit D. Meyers. Ela afirmou que o filho estava desarmado e levava apenas um "sanduíche" com ele.

O episódio ocorreu quase dois meses após uma onda de protestos tomar Ferguson, depois que um policial branco matou a tiros Michael Brown, também negro e de 18 anos.

Ontem, cerca de 200 pessoas reuniram-se no distrito de Shaw, a 18 quilômetros de Ferguson. Elas seguiram em passeata por uma rua movimentada, bloqueando parcialmente o trânsito e gritando palavras de ordem, enquanto um helicóptero da polícia sobrevoava a área.

Em um momento, cerca de dez manifestantes chutaram e deram socos em dois veículos policiais e o vidro de uma viatura acabou sendo quebrado.

A nova morte antecede o que ativistas têm chamado de "Fim de Semana da Resistência" em Saint Louis, no qual planejam um grande ato para lembrar o incidente de Ferguson.

Várias organizações dos direitos civis e grupos de manifestantes devem promover marchas e passeatas. "Isso não é sobre Ferguson. Isso é sobre todo (o condado) Saint Luis e além dele", escreveu em sua conta no Twitter o vereador Antonio French, um dos líderes do ato. / REUTERS, NYT, EFE e AP

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