Policial muçulmano processa Scotland Yard por demissão

Um policial britânico de origem muçulmana do serviço de proteção de altos cargos, incluindo o primeiro-ministro Tony Blair, entrou com um processo judicial contra a Scotland Yard, Polícia Metropolitana de Londres. Amjad Farooq, de 39 anos, foi demitido e segundo a alegação representar um "um risco para a segurança", segundo informações da edição desta terça-feira do diário britânico The Independent. Farooq, pai de cinco filhos e membro do Grupo de Proteção Diplomática SO16, foi demitido porque dois de seus filhos freqüentavam uma mesquita comandada por um clérigo islâmico relacionado pela polícia britânica de ter ligações com grupos suspeito de organizar atividades terroristas, de acordo com o diário britânico. O policial foi informado de que sua presença na Scotland Yard podia atrapalhar os serviços secretos dos Estados Unidos que trabalham com a área dedicada à proteção diplomática. Um porta-voz da Polícia Metropolitana de Londres confirmou que o Farooq entrou com uma ação judicial contra a organização, que é acusada por ele de "discriminação por raça e fé religiosa". Em outubro, Alexander Basha, outro agente da polícia londrina, foi proibido de fazer a segurança da embaixada israelense em Londres com a alegação de ter ligações familiares no Líbano. Segundo o The Independent, Farooq era especialista em armas de fogo que trabalhava para a Polícia do Condado de Wiltshire antes de ser transferido para o Grupo de Proteção Diplomática, cujos membros são submetidos a exames de segurança. A Scotland Yard comunicou a polícia que tinha provas para tirar Farooq da polícia e fez referência ao fato de que os filhos dele, de 9 e 11 anos, freqüentavam a mesquita local, associada a um islâmico suspeito de ter vínculos com um grupo terrorista islâmico. "Vivemos em uma sociedade na qual é possível apontar um muçulmano no exterior, assegurar que ele tem armas de destruição em massa e apresenta risco à segurança nacional sem que ninguém faça nenhuma pergunta", afirmou Lawrence Davis, advogado de Farooq. "Agora, quem nos protege se atreve, inclusive, a indicar com esse mesmo dedo aos muçulmanos britânicos, a lhes declarar culpados por associação. Afirmam que eles são culpados sem dar o tempo para que eles mostrem sua inocência. Isto parece cada vez mais uma caça às bruxas", acusou Davis. O secretário geral adjunto do Conselho Islâmico da Grã-Bretanha, Inayat Buglawala, afirmou que o fato "não é uma surpresa para muitos muçulmanos britânicos: a insinuação e a difamação substituem cada vez mais as provas quando se trata de culpar um muçulmano". Ghayasuddin Siddiqui, dirigente do Parlamento Muçulmano Britânico, qualificou o fato como um "perigoso procedente" e disse que "é preciso ter cuidado quando não há provas diretas, sobretudo quando a acusação está relacionada aos filhos de uma pessoa", em declaração ao diário britânico.

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