Polícia do Condado de Tulsa / AP
Polícia do Condado de Tulsa / AP

Policial que atirou em negro desarmado nos EUA é acusado de homicídio

Eric Courtney Harris, de 44 anos, morreu no dia 2 baleado por um policial branco de Tulsa, Robert Tacos, de 73 anos, que alegou acreditar que disparava uma pistola elétrica

O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2015 | 21h06

WASHINGTON - Um policial branco que matou a tiros um homem negro desarmado no Condado de Tulsa, no Estado americano de Oklahoma, foi formalmente acusado nesta segunda-feira, 13, de homicídio, informou o promotor, Stephen Kunzweiler.

Eric Courtney Harris, de 44 anos, morreu no dia 2 baleado por um policial branco de Tulsa, Robert Tacos, de 73 anos, que alegou acreditar que disparava uma pistola elétrica e não sua arma. "O senhor Tacos está acusado de homicídio em segundo grau que implica negligência", disse o promotor.


Kunzweiler esclareceu que, segundo a lei de Oklahoma, o termo significa "a omissão de fazer algo que uma pessoa razoavelmente atenta faria, ou a falta de cautela no exercício da atividade".

Em um vídeo divulgado hoje pela imprensa americana, é possível ouvir o policial dizer "Oh, disparei nele. Desculpa", pelo tiro dado em Harris após persegui-lo e paralisá-lo no chão com a ajuda de outros agentes.

"Oh Deus. Oh, atiraram em mim", fala Harris no vídeo. Ele alertou os policiais de que não conseguia respirar enquanto estava no chão com a boca para baixo sendo algemado. Neste momento um dos policiais ainda estava com o joelho em suas costas.

"Pro inferno sua respiração", respondeu um dos policiais ao homem negro, que foi transferido em seguida de ambulância para o hospital da cidade, onde morreu uma hora depois.

O escritório do xerife argumentou em comunicado divulgado no mesmo dia do incidente que Harris tentava vender uma arma a um policial disfarçado, mas foi descoberto, saiu correndo e, então, "aconteceu um altercador".

"À medida que o suspeito lutava com os policiais, um agente da reserva disparou sua arma de fogo, abatendo o suspeito", afirmou o comunicado, que destacou que Harris era um "conhecido" delinquente com antecedentes penais.

O vídeo foi gravado com duas câmeras que os agentes levavam em seus óculos e foi divulgado a pedido da família de Harris, segundo outro comunicado do escritório do xerife.

Na sexta-feira, em entrevista coletiva, o sargento da polícia de Tulsa, Jim Clark, encarregado da investigação, afirmou que a confusão foi o que levou o agente a disparar sua arma de fogo e não sua pistola elétrica Taser, destinada a paralisar suspeitos com choques elétricos quando há resistência à abordagem policial.

O senhor pode treinar alguém tanto quanto quiser, e pode treiná-lo em todas as áreas que quiser, mas, quando há uma crise, às vezes a formação não leva à prática", destacou Clark, segundo o jornal local Tulsa World.

O agente acusado de disparar contra Harris trabalhou entre janeiro de 1964 e janeiro de 1965 no departamento de polícia de Tulsa, mas atualmente não possui qualquer vínculo com este corpo, segundo um comunicado da própria polícia.

Tacos trabalhava para o escritório do xerife como agente da reserva, um corpo composto por "cidadãos civis treinados que aumentam a mão-de-obra do escritório do xerife" em meio período, segundo o site da polícia. / EFE

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