AP Photo/Burhan Ozbilici
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Policial que disparou contra embaixador russo ficou pouco mais de um mês afastado do cargo

Jornal turco diz que Mevlut Mert Altintas foi expulso do posto de 4 de outubro a 16 de novembro por suspeitas de pertencer ao movimento do clérigo opositor Fethullah Gulen

O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2016 | 12h26

ANCARA - O policial turco Mevlut Mert Altintas, de 22 anos, que matou o embaixador russo Andrei Karlov em Ancara, esteve brevemente suspenso de seu emprego em razão dos expurgos do governo após a tentativa de golpe militar realizada em julho, informou nesta terça-feira, 20, o jornal Hurriyet. Ele foi suspenso no dia 4 de outubro, mas voltou ao posto em 16 de novembro, segundo a publicação.

Milhares de agentes, além de militares, juízes e funcionários públicos, foram presos, suspensos ou demitidos, suspeitos de pertencer ao movimento liderado pelo clérigo opositor Fethullah Gulen - acusado pelo governo de ser o responsável pela tentativa de golpe no país.

O jornal ainda afirma que Altintas havia pedido autorização para ficar em um hotel próximo à galeria onde o Karlov inauguraria uma exposição de fotografias. Ele caminhou até o local e mostrou sua identificação de policial para conseguir entrar no prédio. O agressor ficou atrás do diplomata, que estava desprotegido, e disparou 11 vezes pelas costas, acertando 9 tiros no embaixador.

Agradecimento. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, agradeceu nesta terça-feira a "reação instantânea" da Turquia ao assassinato de Karlov, no começo de uma reunião com o chanceler turco, Mevlut Cavusoglu. "Estamos profundamente agradecidos aos nossos colegas turcos pela reação instantânea a este crime bárbaro, pelas condolências que o presidente (da Turquia, Recep Tayyip) Erdogan transmitiu ontem por telefone ao presidente (da Rússia, Vladimir) Putin. Esta tragédia nos obriga a lutar com decisão redobrada contra o terrorismo e confere mais atualidade a nossa reunião", disse o chefe da diplomacia russa.

Ele acrescentou que um grupo de especialistas russos viajou à Turquia para participar da investigação do assassinato do embaixador. "O mesmo avião vai transportar o corpo de Karlov e seus parentes. Eles serão recebidos com todas as honras", afirmou o ministro russo.

Lavrov disse acreditar que essas consultas bilaterais e a reunião tripartida que acontecerá ainda nesta terça-feira com a participação do ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, permitirão chegar a acordos para impulsionar o fim do conflito na Síria. Ao mesmo tempo, ressaltou que a criação de condições para a entrega de ajuda humanitária e o começo das negociações políticas não deve contemplar "nenhum tipo de concessões aos terroristas".

Por sua parte, Cavusoglu indicou que tanto a Rússia quanto a Turquia sabem perfeitamente que o objetivo dos organizadores do assassinato do embaixador russo era "prejudicar as relações da Rússia com a Turquia e pôr em risco os avanços obtidos nos últimos tempos". Moscou e Ancara são conscientes que "não se pode permitir que os organizadores deste crime alcancem seus objetivos". / EFE

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