Política dinamarquesa brilha em Durban

A jornalista e política dinamarquesa Connie Hedegaard, de 51 anos, ficou conhecida mundialmente ao presidir a famosa 15º Conferência do Clima da ONU, a COP-15, que foi um grande fracasso. Depois disso, ela se tornou a comissária da União Europeia (UE) para Ação Climática e foi nessa posição que ela brilhou na COP-17.

DURBAN, ÁFRICA DO SUL, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h04

A União Europeia foi a liderança mais construtiva na reunião da África do Sul, ao aceitar o segundo período do Protocolo de Kyoto mesmo com a desistência de outros países, como Japão, Rússia e Canadá.

E, ao mesmo tempo, o bloco tentou mostrar ao mundo que esse tratado sozinho não resolve o problema climático - já que os maiores poluidores hoje estão fora dele - e que é preciso avançar num acordo com força de lei que envolva todos os países.

Connie foi ministra do Meio Ambiente da Dinamarca e também ajudou a estruturar o ministério de Clima e Energia - que cuidou da preparação da COP-15. Ela estudou Literatura e História e, com apenas 23 anos, foi eleita ao parlamento dinamarquês. Na década de 1990, porém, resolveu trocar a política pelo jornalismo. Mais tarde, voltaria à política.

Ao longo deste ano e principalmente em Durban, ela pressionou os outros países para que também se prontificassem a agir. "A Europa acredita que o mundo já teve muito tempo para pensar. O que precisamos agora é mais ação. Lamentaremos se essa conferência for lembrada apenas por discussões e protelação", disse ela.

A ideia da Europa sempre foi fechar um acordo global em 2015, e ela ressaltou que seria impossível explicar para a sociedade que os governos precisavam de mais do que quatro anos para apenas conversar.

Nas conferências à imprensa, com seu traquejo de âncora de telejornal, ela também foi uma das pessoas mais claras ao mostrar que Índia, China e EUA eram os países que bloqueavam os avanços.

Connie também deu vários recados pelo Twitter. Num deles, elogiou o fato de a ministra Izabella Teixeira ter dito em seu discurso que o Brasil aceitava metas obrigatórias para o acordo pós-2020 com todos os países.

Na sexta-feira, apontou quem ainda atrapalhava o processo: "O sucesso ou fracasso de Durban está nas mãos daqueles que ainda não se comprometeram com o roteiro (proposto pela União Europeia para o acordo futuro). O mundo está esperando por eles. (...) Durban está prendendo a respiração. Será que China, Índia e EUA aceitarão metas obrigatórias?"

Lentidão. Enquanto Connie chamava a atenção positivamente, a presidente da COP-17, a chanceler da África do Sul Maite Nkoana-Mashabane, não agradava tanto aos delegados de países emergentes. Nos últimos dias, ela elaborou textos pouco ambiciosos e fazia questão de juntar muitos países para negociar.

Sua intenção era boa: dar mais transparência e permitir a participação de todos, o que foi bem visto principalmente pelos países menores. Mas outros achavam a medida pouco produtiva.

Houve muitos atrasos - a reunião deveria ter terminado na sexta, mas as duas plenárias principais acabaram ficando para o sábado.

Transparência. Para os jornalistas, a presidência da COP-17 e a Convenção do Clima da ONU (UNFCCC) garantiram o acesso aos documentos da negociação em tempo real pela internet - algo nunca visto antes numa COP, o que evitou bastante confusão (quando o texto não é divulgado de forma oficial, é difícil saber qual documento está valendo ou é o mais recente).

Já a secretária-executiva da convenção, Christiana Figueres, quase não falou com a imprensa ao longo da última semana da COP-17 e não dava pistas do que acontecia nos bastidores.

Perfil quase oposto ao de seu antecessor, Yvo de Boer, que conversava todos os dias - às vezes até mais de uma vez ao dia - com os jornalistas e tentava explicar de maneira simples, com muitas metáforas, o andamento das negociações. /AFRA BALAZINA

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