Política dos EUA para China continua incerta

A troca de acusações entre Estados Unidos e China, no final da semana, sobre a responsabilidade pela colisão aérea que gerou a mais grave crise nas relações sino-americanos em mais de uma década, envenenou o ambiente para a reunião que militares e diplomatas dos dois países terão na quarta-feira, em Pequim, para discutir as causas do acidente e medidas para evitar sua repetição. A China pediu que os Estados Unidos cessem os vôos de reconhecimento ao longo de sua costa. Os EUA já responderam que continuarão tais operações, faltando decidir apenas quando o próximo EP-3 Aries da Marinha decolará do Havaí para fazer a varredura dos sinais eletrônicos emitidos pelos comandos militares chineses e se ele terá ou não uma escolta de proteção. A acolhida como heróis dos 24 tripulantes do avião norte-americano, que retornaram à sua base no Estado de Washington, no sábado, depois de passar 11 dias detidos na ilha de Hainan, ajudou a selar a vitória política que o desfecho do episódio deu ao presidente George W. Bush em seu primeiro teste numa crise internacional. O relato que o piloto do EP-3, tenente Shane Osborn, fez sobre a colisão, afirmando que "não havia necessidade de pedir desculpas em nosso nome, porque fizemos tudo direito", confirmou, para a opinião pública americana, o acerto da decisão de Bush de não pedir desculpas a Pequim e limitar o preço pago pela libertação dos tripulantes a um "sinto muito" pela morte do piloto do caça chinês e pela invasão do espaço aéreo chinês pelo EP-3, depois da colisão. Num desdobramento do espidódio certamente bem recebido em capitais ao redor do mundo, a primazia que os diplomatas do Departamento de Estado tiveram sobre os falcões do Pentágono e da Casa Branca na condução da crise introduziu um ingrediente novo de realismo e moderação numa política externa ainda nascente em Washington e que já exibia uma forte inclinação para o endurecimento e o confronto. Mas é cedo para afirmar que o secretário de Estado Colin Powell, que falou pessoalmente apenas duas vezes com Bush durante toda a crise, emergiu como a figura dominante na formulação da política externa da administração republicana.

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