Política externa da UE ainda tenta unificar seu discurso

A União Européia (UE) completa 50 anos, neste domingo, 25, mas sua política externa e de segurança comum só começou a se desenhar em 1992 e, apesar de importantes avanços, ainda não fala com uma só voz.Até então a Comunidade Européia, criada pelo Tratado de Roma, em 1957, se concentrava na economia. Era o meio de evitar um novo conflito na Europa, após as duas guerras mundiais."Hoje os europeus gozam de um nível de paz e prosperidade extraordinário. Portanto, temos obrigações além de nossas fronteiras para que o mundo todo também viva em paz", disse o alto representante da UE para Política Externa e Segurança Comum, Javier Solana.A UE é responsável hoje por 60% da ajuda ao desenvolvimento no mundo. A contribuição é uma arma fenomenal para exercer influência e obter vantagens políticas.O tratado de Maastricht, de 1992, e o de Amsterdã, de 1997, lançaram as bases primeiro de uma política externa e depois de uma política de defesa comuns. A UE passou a dispor de instrumentos para atuar em missões civis e militares de pacificação, de manutenção da paz e humanitárias.Em Amsterdã também foi criada a figura do alto representante, cargo assumido por Solana em 1 de junho de 1999. A medida deu maior visibilidade à UE como bloco.A UE acabava de sofrer um fracasso nos Bálcãs. Para acabar com as guerras que dividiram a antiga Iugoslávia, foi necessária uma intervenção dos EUA e das tropas da Otan.Segundo Marco Incerti, do Centro de Estudos de Política Européia, com sede em Bruxelas, o espanhol Solana ajudou a criar o embrião de uma política externa comum. Ele ganhou a confiança dos Estados-membros, sempre ciumentos de suas prerrogativas nesta matéria.IsoladosEntre os mais isolados está o Reino Unido, que mantém uma relação especial com os EUA. Os países do antigo bloco soviético que aderiram em 2004 também resistem a abrir mão da sua recém-conquistada independência."A UE ainda não tem uma política externa comum como tal, mas estamos mais perto", disse Incerti à agência Efe. Para Alain Deletroz, do Grupo Internacional de Crise, outro centro de estudos de Bruxelas, a política externa comum da UE se reduz ao "mínimo denominador comum entre os 27 Estados-membros".As divergências em torno da Guerra do Iraque, em 2003, e o recente bloqueio da Polônia a um importante acordo de cooperação com a Rússia demonstram que não há uma, e sim várias políticas externas na UE.A guerra do Iraque foi "o momento mais frustrante em todo o processo de desenvolvimento de uma política comum, porque não se chegou a um acordo", reconheceu à Efe Cristina Gallach, porta-voz de Solana.Mas ela lembrou que, enquanto caíam as bombas sobre Bagdá, a UE lançava, em março de 2003, sua primeira missão militar conjunta. As tropas foram enviadas à antiga República Iugoslava da Macedônia.Desde então, foram dez missões civis e militares no mundo inteiro, incluindo África, Ásia e Oriente Médio. "Já não somos meros parceiros comerciais. Somos parceiros estratégicos", disse a comissária européia de Relações Exteriores,Benita Ferrero-Waldner. UE no mapa mundialEla ressaltou que "os cidadãos esperam que seus líderes ponham a Europa no mapa mundial e criem melhores condições de vida para todos". Segundo uma pesquisa da UE, realizada em dezembro de 2006, 68% dos europeus apóiam uma política externa comum, e 75% são favoráveis a uma política unificada de segurança e defesa.A Constituição Européia deveria criar a figura de um ministro de Relações Exteriores europeu, que daria maior coerência à UE. Ele seria o líder dos Estados-membros e ao mesmo tempo assumiria as funções da Comissão Européia (órgão executivo da UE) na área de política externa.A Carta, porém, foi rejeitada por França e Holanda em seus referendos de 2005. Mas os Estados-membros pensam em resgatar muitas de suas disposições, entre elas as referentes à política externa.O conceito de "poder brando" da UE tem sido considerado fundamental para manter a porta aberta nas negociações sobre o programa nuclear iraniano e conseguir avanços no Oriente Médio, por exemplo.

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