Política novata ameaça democrata na Califórnia

Republicana Fiorina, que disputa o Senado pelo Estado, tradicional reduto democrata, mostra habilidade de veteranos e tem 42% de intenção de votos

Denise Chrispim Marin ENVIADA ESPECIAL / LOS ANGELES, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

Novata na política, a candidata republicana ao Senado pelo Estado da Califórnia, Carly Fiorina, de 56 anos, tornou-se um fenômeno na política americana. Concorre em um Estado tradicionalmente dominado pelo Partido Democrata e, embora tenha recebido o apoio da ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, teve o cuidado de não se vincular ao Tea Party, braço da ultradireita republicana.

Segundo especialistas, sua eventual vitória sobre a senadora democrata Barbara Boxer, que busca a reeleição no dia 2, será um golpe no governo do presidente Barack Obama. "Perder o controle democrata do Senado significará o domínio republicano da agenda do Congresso nos últimos dois anos do governo Obama", disse Sherry Bebitch Jeffe, professora da Escola de Política, Desenvolvimento e Planejamento da Universidade do Sul da Califórnia (USC).

"A Califórnia é, talvez, o Estado mais pró-democrata do país", afirmou David Lauder, subgerente de produção jornalística do jornal Los Angeles Times. Segundo pesquisa encomendada pelo diário e pela USC, Carly tem 42% das intenções de voto e Barbara, 50%. A Califórnia é, segundo Jane Junn, professora de Ciência Política da USC, o Estado com a menor proporção de anglo-saxões dos EUA, de 42%. Mais de 38% dos 37 milhões de habitantes são hispânicos e 12,5%, de origem asiática - grupos étnicos bastante atrelados aos ideais liberais dos democratas.

Presidente da Hewlett-Packard Corporation entre 1999 e 2005, Carly admite ser uma "novata" na política. Abraçou a carreira no ano passado, depois de um severo tratamento contra câncer de mama. Mas, diante do eleitorado, demonstra a habilidade dos veteranos de dizer exatamente o que seu público quer ouvir. Na noite de domingo, em uma sinagoga em Los Angeles, ela atacou o governo de Obama por sua condução das negociações de paz entre a Autoridade Palestina e Israel e por não reagir contra a campanha antiamericana liderada pelo Irã.

"O governo americano não poderia ser conivente e aceitar a precondição da Autoridade Palestina sobre o congelamento dos assentamentos israelenses", afirmou ela, referindo-se à exigência dos palestinos de que não sejam construídas novas casas nos territórios ocupados. "Também não podemos ficar em silêncio diante da campanha do Irã contra os EUA."

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