Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Políticas de Huckabee estão cheias de ameaças às mulheres

Candidato republicano é firmemente contrário ao aborto e apoiou libertação de estuprador

Kira Cochrane, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2007 | 00h00

Se acreditarmos no falatório, o aspirante republicano à presidência dos Estados Unidos Mike Huckabee parece um bom rapaz. Ex-governador do Arkansas e pastor batista, ele surgiu do nada para ultrapassar os rivais nas pesquisas do Estado de Iowa, onde as primeiras votações da temporada eleitoral ocorrerão em 3 de janeiro. Com seu amor pelo rock e sua história da perda de 50 quilos, ele é citado como uma personalidade sedutora e amigável, um homem do povo. Ele se importa com os vulneráveis, ajudou os refugiados do furacão Katrina, acredita no financiamento da educação superior para os filhos de imigrantes ilegais. De fato, sob um olhar desatento, este homem parece maravilhoso.Mas um exame cuidadoso da candidatura de Huckabee revela que ele não é apenas excêntrico (não acredita na teoria da evolução de Darwin), mas também assustador. Na verdade, quando se trata dos direitos das mulheres, Huckabee figura como um dos candidatos presidenciais mais aterrorizantes de que se tem memória.As políticas conservadoras de Huckabee estão cheias de ameaças sutis às mulheres. Por exemplo, ele se recusa a discutir se as mulheres deveriam ter direito a servir como pastoras. A questão é marginal numa eleição, sem dúvida, mas poderia ilustrar as visões sobre igualdade cultivadas pelo candidato republicano.APOIO A CRIMINOSOUm fato muito mais problemático é que Huckabee, quando era governador de Arkansas, nos anos 90, apoiou a libertação de Wayne Dumond, condenado por estupro. Isso apesar de algumas vítimas de Dumond terem escrito pessoalmente ao governador - entre elas uma que fora estuprada sob a ameaça de uma faca, enquanto a filha de 3 anos dormia a seu lado. Aparentemente, Huckabee ficou mais comovido com a campanha realizada por tablóides direitistas em favor de Dumond. A influência do governador ajudou a libertar o estuprador 25 anos mais cedo. Livre, Dumond estuprou e matou uma mulher. Ele acabou morrendo na prisão, ainda acusado num outro caso de estupro e assassinato.Firmemente contrário ao aborto, Huckabee já o comparou ao Holocausto. Uma de suas primeiras medidas como governador foi impedir o Medicaid, programa de saúde para pessoas de baixa renda, de financiar um aborto para uma menina de 15 anos com dificuldade de aprendizagem que fora estuprada pelo padrasto. A iniciativa violou a lei federal, que obriga os Estados a financiar abortos em casos de estupro.Críticos deneunciaram a crueldade dessa decisão, que desmente a alegação de Huckabee de preocupação com os vulneráveis - afinal, é difícil imaginar alguém mais vulnerável que uma adolescente deficiente e vítima de estupro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.